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Artistas recorrem a robôs de IA para reproduzir suas telas e aumentar seus ganhos
Um braço mecânico pega um pincel, o insere em um recipiente com tinta e começa a pintar sobre uma tela. Com extrema precisão, o robô reproduz de forma autônoma uma obra de Audrey-Eve Goulet, uma artista canadense entusiasmada com as habilidades da inteligência artificial.
"É muito impressionante ver o robô pessoalmente", diz ela, em Montreal. "Ele opera com tanta desenvoltura ao segurar o pincel, lavá-lo e mudar de cor!".
A pintora foi cativada pela ideia da empresa Acrylic Robotics: desenvolver máquinas capazes de reproduzir obras de arte para permitir a seus autores expor e vender mais reproduções de suas telas sem terem que pintá-las eles mesmos.
"Só queria construir um robô que me ajudasse a recriar minhas próprias pinturas", conta Chloë Ryan, fundadora da Acrylic Robotics.
Ela lembra que quando era adolescente, ganhava dois dólares a hora (cerca de R$ 10, em valores atuais) pintando obras sob encomenda para seus familiares.
Após estudar engenharia, ela fundou a própria empresa em 2021. Sua equipe levou três anos para conseguir quadros pintados por um robô suficientemente bons para serem expostos e vendidos.
"A ideia é capturar a aura de uma obra graças à cronologia das pinceladas em três dimensões, de forma que uma simples impressão fotográfica nunca poderá se igualar", explica ela sobre as reproduções, as quais denomina de "aurógrafos".
- Consentimento, mérito e compensação -
"Gosto que os traços fiquem visíveis. Realmente dá pra ver onde o pincel tocou e a forma que desenhou. Parece uma das minhas obras de verdade", comenta ela, diante de um "aurógrafo" de um de seus quadros.
Os artistas que participam do projeto recriam seu quadro em um tablet, que registra sua escolha de tons, a pressão e a velocidade de cada pincelada, assim como outros dados que o robô usa em seguida para fazer a cópia.
A empresa também está trabalhando em modelos de inteligência artificial mais avançados para que seus robôs possam recriar a imagem diretamente.
Dentro de um ano, Ryan espera desenvolver uma "plataforma 'self-service', onde qualquer artista do mundo pode carregar seu estilo". Desta forma, um cliente poderá encomendar um quadro de seu cão, por exemplo, no estilo de seu pintor favorito, que receberá uma comissão.
Algo similar às ferramentas de IA para a criação de imagens sob demanda, mas, neste caso, os artistas deram seu consentimento para ceder seu estilo, recebem o mérito pela obra, além de uma compensação financeira.
- Lista de espera -
"A princípio, as pessoas veem um robô pintar e dizem: 'Meu Deus, é o pior que vi na minha vida'", admite Ryan. "Mas quando proponho aos artistas que incluam algumas de suas obras em troca de uma quantia em dinheiro que recebem a cada mês, muitos ficam satisfeitos".
A grande maioria dos pintores enfrenta problemas para viver de sua arte, devido à dificuldade que significa entrar no circuito das galerias.
"Faço arte pública e colaborações, como esta com a Acrylic, para divulgar a minha obra para mais pessoas e a preços mais acessíveis", diz Goulet.
Os "aurógrafos" são vendidos, em média, entre 200 e 1.000 dólares (R$ 1.060 e R$ 5.300), dos quais o artista embolsa entre 5% e 50%, dependendo de sua notoriedade e envolvimento no projeto.
"Temos uma lista de espera de 500 artistas", afirma Ryan.
P.Keller--VB