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EUA cancelou contratos para vacinas com base em afirmações falsas, dizem pesquisadores
O governo dos Estados Unidos usou afirmações falsas para justificar a rescisão de 22 contratos federais para vacinas baseadas em mRNA, às quais se atribui a salvação de milhões de vidas durante a pandemia de covid, afirmaram pesquisadores nesta sexta-feira (8).
O secretário de Saúde, Robert Kennedy Jr., anunciou na terça-feira o cancelamento dos contratos, que somavam cerca de 500 milhões de dólares (R$ 2,7 bilhões), uma decisão qualificada como "duro golpe" pela Organização Mundial da Saúde (OMS).
Porém, o órgão de controle da desinformação NewsGuard identificou uma série de falsidades que Kennedy promoveu ao justificar os cortes.
Kennedy afirmou que as vacinas de mRNA são responsáveis por "novas mutações" do vírus, criando assim novas variantes que podem prolongar as pandemias.
"Ele está errado (...). Nenhuma vacina, incluindo a de mRNA, estimula novas mutações", disse Stephen Evans, professor da Escola de Higiene e Medicina Tropical de Londres, ao Science Media Centre, com sede em Londres.
Kennedy também afirmou que as vacinas de mRNA "não protegem eficazmente contra infecções das vias respiratórias superiores como a do covid" e que a tecnologia de mRNA "apresenta mais riscos do que benefícios".
Mas Evans destacou que as vacinas são "extremamente eficazes contra o covid, ao prevenir mortes, hospitalizações e infecções clínicas ou subclínicas".
"Nenhuma vacina tem uma incidência zero de efeitos colaterais (...) mas os benefícios superam amplamente os riscos", ressaltou Charles Bangham, professor de imunologia do Imperial College de Londres, ao Science Media Centre.
O principal responsável da Organização Mundial da Saúde (OMS) em imunização lamentou na quinta-feira a decisão dos Estados Unidos.
"A vacina de mRNA é uma tecnologia muito importante que nos foi extremamente útil para combater a covid", disse Joachim Hombach, destacando que esse tipo de vacina "pode se adaptar muito rapidamente".
Diferentemente das vacinas tradicionais, que usam formas enfraquecidas ou inativadas do vírus ou bactéria alvo, as de mRNA introduzem instruções genéticas nas células do hospedeiro, o que as estimula a produzir uma isca inofensiva do patógeno e capacita o sistema imunológico a combater o patógeno real.
Especialistas americanos alertaram que os cortes de financiamento ameaçam a saúde pública mundial.
Há duas décadas, Kennedy semeia desinformação sobre vacinas e, desde que assumiu em fevereiro, conduz uma importante revisão da política de saúde dos Estados Unidos.
Por exemplo, ele demitiu um painel consultivo de especialistas em vacinas, substituindo-os por pessoas que ele mesmo designou. Na primeira reunião, o novo grupo votou a favor da proibição de um conservante de vacinas historicamente seguro, mas criticado por parte do movimento antivacina.
Também ordenou um novo estudo minucioso sobre a relação, já desacreditada, entre vacinas e autismo.
burs-ac/bgs/ad/nn/am
A.Ruegg--VB