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Coppola, Lucas e Schrader em Cannes: uma oferta irrecusável
Uma oferta que ninguém poderia recusar: Francis Ford Coppola liderará um desfile de titãs do cinema americano em seu retorno ao Festival de Cannes na próxima semana.
Será provavelmente o canto do cisne de uma geração que irrompeu com força e coragem, sob o nome de "Nova Hollywood", nos anos 1970.
O diretor de "O Poderoso Chefão" estará acompanhado pelo criador de "Star Wars", George Lucas, e pelo roteirista de "Taxi Driver", Paul Schrader, no aclamado evento cinematográfico, onde os três homens triunfaram por décadas.
Coppola e Schrader disputam a cobiçada Palma de Oro com seus novos filmes, respectivamente "Megalopolis" e "Oh, Canadá", enquanto Lucas receberá um prêmio honorário.
"É como o velho pistoleiro que volta à cidade para um último duelo", disse o historiador de Hollywood Thomas Doherty.
"Um ponto de exclamação em suas carreiras", afirmou o veterano jornalista americano Tim Gray.
"Estes caras são certamente marcas conhecidas, mas antes de tudo são artistas, apreciados por todo o mundo do cinema", afirmou.
- Mudança artística -
A "Nova Hollywood" transformou os estúdios de Hollywood na década de 1970. Adotaram códigos de estilo da 'Nouvelle Vague' francesa da década anterior, junto com a ideia do diretor como um visionário independente.
Também mudaram a forma como os filmes eram financiados, principalmente Coppola, que se afastou dos estúdios tradicionais de Hollywood e investiu seu próprio dinheiro em filmes colossais como "Apocalypse Now". Esse filme lhe valeu uma de suas duas Palmas de Ouro, em 1979. A primeira ele recebeu em 1974, com "A Conversação".
"Megalopolis" é outro projeto colossal que custou 120 milhões de dólares (cerca de 600 milhões de reais na cotação atual). Coppola, de 85 anos, vendeu parte de uma vinícola na Califórnia para financiar o filme, que narra a luta de dois homens para reconstruir uma metrópole em ruínas.
Porém, não conta com um distribuidor de peso em Hollywood.
"Gosto dessa decisão. Coppola é um pouco ousado", disse Gray, ex-editor da Variety que agora é vice-presidente executivo dos Globos de Ouro.
"Como cineasta e showman, Coppola sempre tem apostado alto... tem desafiado a lógica de sua carreira", acrescentou.
- A última saudação -
A presença de tantos gigantes do cinema americano, talvez em seu último aceno a Cannes, pode tornar o evento profundamente emotivo e sentimental.
Lucas, um dos diretores mais ricos e famosos do cinema, tem sido relativamente pouco aclamado em seu país. No entanto, foi uma projeção de sua estreia na ficção científica, "THX 1138", em Cannes em 1971, que o colocou no caminho para criar "Star Wars" e "Indiana Jones".
Lucas "não precisa de dinheiro, não precisa de nada", disse Gray. Porém retornar à Croisette coincidindo com seus 80 anos é "uma espécie de reconhecimento a sua importância como autor".
E não estarão apenas os diretores. Várias estrelas que também surgiram na época da Nova Hollywood os acompanharão.
"Megalopolis" de Coppola conta com os veteranos vencedores do Oscar Dustin Hoffman e Jon Voight, assim como Laurence Fishburne, adolescente em "Apocalypse Now".
Schrader, que escreveu o roteiro de "Taxi Driver", Palma de Ouro em 1976, volta a dirigir Richard Gere, décadas depois de "Gigolô Americano". Gere interpreta um homem que se esquivou do recrutamento para a Guerra do Vietnã, atormentado por seu passado, em "Oh, Canadá".
Meryl Streep, outra personalidade da época com seus papeis em "O Franco Atirador" e "Manhattan", também receberá uma Palma de Ouro honorária no festival.
Promete ser um importante último adeus, disse Doherty: "Precisamos dar uma última saudação".
O 77º Festival de Cinema de Cannes começa na próxima terça-feira e entrega seus prêmios em 25 de maio.
D.Bachmann--VB