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Flávio Bolsonaro enfrenta tempestade a meses das eleições presidenciais
Quando as pesquisas se mostravam favoráveis a ele, o escândalo explodiu: o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), candidato da direita às eleições presidenciais de outubro, manteve tratativas com o banqueiro Daniel Vorcaro, preso por suspeita de fraude, o que ameaça complicar sua disputa frente ao presidente Lula.
O senador, de 45 anos, foi escolhido herdeiro político por seu pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro (2019-2022), condenado por tentativa de golpe de Estado e fora da disputa eleitoral.
Rapidamente, ele se consolidou como o principal adversário do petista Luiz Inácio Lula da Silva, de 80 anos, que tentará a reeleição.
As pesquisas situavam os dois empatados em um eventual segundo turno, inclusive com certa vantagem para Flávio Bolsonaro.
Mas isso foi antes da revelação, na semana passada, de textos e um áudio do senador para Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, acusado de uma fraude bilionária, com estreitos vínculos com órgãos do poder.
Na mensagem divulgada pelo site Intercept Brasil, o candidato presidencial pede dinheiro para o financiamento de "Dark Horse", filme biográfico de Jair Bolsonaro, produzido nos Estados Unidos e protagonizado pelo ator Jim Caviezel.
Para este filme, que homenageia a trajetória do ex-presidente, condenado a mais de 27 anos de prisão por tentativa de golpe de Estado, Vorcaro tinha prometido aportar R$ 134 milhões, dos quais teria pago pouco menos da metade.
Flávio Bolsonaro, que até então tinha assegurado não ter qualquer vínculo com Vorcaro, teve que reconhecer que pediu dinheiro ao banqueiro para levar o filme adiante, mas negou ter praticado qualquer irregularidade.
Segundo ele, houve "zero de dinheiro público" envolvido.
- "Bastante tranquilo" -
Mas desde então, as coisas se complicaram para Flávio Bolsonaro: novas revelações do Intercept Brasil levantaram novas perguntas sobre a operação e o destino do dinheiro recebido.
A candidatura do primogênito do ex-presidente começou a perder fôlego e uma nova pesquisa o situou a sete pontos de Lula.
Na tentativa de se explicar, o senador se reuniu na última terça-feira (19) com parlamentares do Partido Liberal, e disse estar "bastante tranquilo".
Mas, ao mesmo tempo, teve que admitir que se reuniu com Vorcaro quando o banqueiro era monitorado com tornozeleira eletrônica por suspeita de fraude realizada com seu Banco Master, liquidado no ano passado por dívidas de mais de R$ 40 bilhões.
Por enquanto, oficialmente a direita cerra fileiras em torno de sua candidatura. "Não tem nenhuma discussão com essa hipótese da troca do Flávio" na disputa eleitoral, disse à AFP o deputado bolsonarista Evair de Melo (Republicanos-ES).
- "Sangue Bolsonaro" -
A esquerda tem aproveitado a crise, após ver Lula perder terreno nos últimos meses para o filho de Jair Bolsonaro, derrotado pelo presidente por uma margem apertada em 2022.
As revelações são "talvez o fato mais importante" da pré-campanha e melhoram "a situação para o governo Lula" entre os eleitores moderados e conservadores "decepcionados" com o bolsonarismo, avaliou Ivan Valente, histórico deputado do PSOL por São Paulo, aliado do PT.
"Se continuar vazando mais coisas, vai ser letal para a candidatura" de Flávio Bolsonaro, disse o deputado à AFP.
Após este escândalo, Flávio Bolsonaro ficou como "um candidato muito fragilizado, com um teto de vidro muito grande", explicou à AFP Márcio Coimbra, diretor do centro de reflexão Casa Política.
Mas, embora vá sofrer "cada vez mais desgaste", seu pai "vai manter" sua candidatura "até o final", afirmou.
O ex-presidente escolheu o filho senador sobre outras figuras mais favorecidas, como seu ex-ministro e governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos).
Seu objetivo é "manter o controle da direita sob o domínio dele" e para isso "precisa ter sangue Bolsonaro", disse Coimbra.
Flávio Bolsonaro também tenta se apresentar como uma opção mais moderada que seu pai, embora em temas como a segurança prometa seguir o modelo de linha-dura do presidente salvadorenho Nayib Bukele se vencer as eleições.
Jair Bolsonaro "vai ser sempre o meu norte, a minha bússola", disse à CNN Brasil o senador, que nunca ocupou um cargo executivo.
Flávio também enfrentou problemas com a justiça: em 2020 foi acusado pelo Ministério Público de ter desviado dinheiro público quando era deputado estadual pelo Rio de Janeiro em um suposto esquema conhecido como "rachadinha", que consistia na arrecadação de parte dos salários de funcionários de seu gabinete. O processo foi arquivado.
Ele também foi criticado por defender as milícias, que controlam territórios em algumas cidades do país, e de ter proximidade pessoal com seus integrantes, chegando a condecorar um deles.
A.Zbinden--VB