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Homem é julgado na França por estuprar e torturar a companheira
Um homem se apresenta a partir desta segunda-feira (18) perante um tribunal da França acusado de estuprar e torturar durante sete anos sua companheira, que decidiu seguir os passos do ícone feminista Gisèle Pelicot e expor seu caso publicamente.
Guillaume B., de 51 anos, é acusado de usar o pretexto de jogos sexuais sadomasoquistas para manipular sua companheira entre 2015 e 2022 até agredi-la com torturas e estupros cometidos por ele e também por desconhecidos com os quais fazia contato pela internet.
O réu, diretor de uma agência bancária no momento dos fatos, negou as acusações e afirmou que sua agora ex-companheira, de 42 anos, consentia estas práticas sexuais. Ele pode pegar prisão perpétua neste julgamento, com duração prevista de uma semana.
Antes de seu início, nesta segunda-feira, no tribunal de Dignes les Bains, no sudeste da França, a demandante, mãe de quatro filhos, disse à imprensa ter se inspirado na coragem de Pelicot para dar o exemplo ao contar sua história.
"Ela considera que o medo e a vergonha devem mudar de lado", disse à AFP seu advogado, Philippe Henry Honegger, cuja cliente deseja "não continuar calada, depois de ter sido silenciada durante tantos anos".
Laëtitia R. declarou à rádio pública que "vivia com medo" enquanto esteve com o réu e que levou "socos, golpes com uma tábua de cozinha, cortes com faca ou estilete nas costas" e queimaduras com cigarros.
Segundo o Ministério Público, a demandante também contou aos investigadores que seu então companheiro a mandava "ter relações sexuais com outros homens" e que ficava "com a metade e depois com todo o dinheiro" quando estes pagavam.
A vítima, que denunciou que Guillaume B. também recorria a ameaças de rompimento, contou pela primeira vez sobre seu suplício em 2022 para uma amiga, que alertou a polícia, o que levou à detenção do homem.
O testemunho de Laëtitia R. "está apoiado, corroborado, reforçado e confirmado por centenas e centenas de mensagens, envios de fotos, transcrições e achados médicos que são inquestionáveis", segundo seu advogado.
Os abusos causaram na demandante sequelas físicas e psicológicas que a deixaram "incapaz de levar uma vida normal", afirmou. Ela contou à rádio pública que hoje sofre de incontinência e é uma pessoa incapacitada.
Segundo a acusação, a relação do casal, que começou em um aplicativo de relacionamento em 2015, evoluiu para a dominação psicológica e controle total do réu sobre sua companheira.
No caso de Gisèle Pelicot, que chocou a França e originou um debate sobre o consentimento, seu marido foi condenado em 2024 a 20 anos de prisão por drogá-la sem seu conhecimento para estuprá-la juntamente com desconhecidos durante uma década.
C.Bruderer--VB