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John Textor e seu projeto para o Botafogo caem em desgraça
O magnata americano John Textor levou o Botafogo às glórias em 2024, mas agora sua saída pela porta dos fundos parece iminente em meio a dívidas, disputas judiciais e o interesse de novos investidores.
Textor comprou o Botafogo em 2022 com uma injeção de recursos que catapultou o clube carioca a conquistar uma dobradinha histórica dois anos depois: a Copa Libertadores da América e o Brasileirão.
No entanto, o Fogão entrou em declínio e atualmente tem uma dívida estimada em R$ 2,7 bilhões, segundo os últimos balanços.
O empresário americano, de 60 anos, já perdeu o controle operacional do clube por decisão de um tribunal arbitral, devido a questionamentos sobre sua gestão.
O fluxo de caixa "é crítico", comenta à AFP a jornalista esportiva Fernanda Gondim.
"A própria SAF [Sociedade Anônima do Futebol, órgão de gestão do clube] admitiu dificuldades para arcar com despesas básicas, incluindo o pagamento dos salários referentes ao mês de maio", para o qual foi necessário recorrer a um empréstimo de cerca de R$ 4,3 milhões, destacou Gondim, que acompanha de perto o caso.
As disputas de Textor com seus antigos sócios e várias decisões judiciais no Brasil deixaram o clube em uma situação incerta.
Após nomear um novo diretor, a SAF alvinegra criticou na quinta-feira o empresário americano pela primeira vez em um comunicado oficial.
"A condução adotada" por Textor e pela multinacional por meio da qual adquiriu o clube "revelou absoluto descompromisso com a estabilidade financeira e institucional" e contribui diretamente para "o cenário de extrema fragilidade" da instituição, indicou o texto.
A seguir, pontos-chave para entender a crise.
- As manobras de Textor -
Textor foi afastado da direção do Botafogo no mês passado, no âmbito de um litígio com a multinacional Eagle Football Holdings Bidco.
Esse holding, com o qual Textor controlou em determinado momento o Botafogo, o Lyon, da França, e o Molenbeek, da Bélgica, está sob administração judicial por dívidas na Inglaterra.
O Crystal Palace, da Inglaterra, também pertencia ao grupo, mas foi vendido após a explosão da crise.
O império que prometia desmoronou.
Na tentativa de se manter no Botafogo, o magnata afirmou ter alcançado um acordo com o fundo de investimento Ares, principal credor da Eagle Bidco.
"Posso informar um acordo com a Ares para encerrar a disputa e trazer capital", disse Textor no Instagram, sem dar mais detalhes.
Para Gondim, a possibilidade de Textor recuperar o controle "é muito remota", pois "a parte social do clube quer seguir com a menor participação possível dele em qualquer decisão".
- Os novos pretendentes -
O Botafogo tem uma oferta da empresa de investimentos americana GDA Luma que a transformaria em acionista principal, confirmou à AFP uma fonte com conhecimento das negociações, sob condição de anonimato.
"Hoje em dia só há dois cenários possíveis: esse da GDA ou de ir para o mercado buscar outra solução, que é menos viável, menos possível", afirmou.
A GDA Luma é especializada em ativos de risco e investiu no famoso Cirque du Soleil quando ele declarou falência.
- A Justiça -
O Botafogo tem processos na Justiça brasileira contra a Eagle Bidco e o Lyon, cobrando dívidas.
As ações do clube carioca, que alega ter financiado prejuízos do Lyon, foram congeladas por um tribunal brasileiro no ano passado devido a "riscos" de inadimplência.
Paralelamente, o Botafogo pediu recuperação judicial.
Esse processo "é menos traumático do que parece", afirmou a mesma fonte que pediu anonimato.
"Permite que judicialmente você reestruture e reorganize sua dívida de uma forma radical" e "privilegia" a sobrevivência da empresa, explicou.
- Quem manda e o que acontece em campo? -
O Botafogo nomeou na quinta-feira (14) como novo diretor-geral o economista Eduardo Iglesias, de 31 anos, que trabalhou com Textor no clube e no Eagle Bidco, mas rompeu com o americano nos últimos meses.
Enquanto isso, o Fogão, sob o comando do técnico português Franclim Carvalho, ocupa o meio da tabela do Campeonato Brasileiro e foi eliminado na 5ª fase da Copa do Brasil pela Chapecoense.
A crise afeta o clube: o elenco perde talento. Entre os destaques que deixaram a equipe estão o argentino Thiago Almada, Luiz Henrique, Igor Jesus, o venezuelano Jefferson Savarino e Marlon Freitas.
Daquela geração supercampeã de 2024, o zagueiro argentino naturalizado uruguaio Alexander Barboza desponta como a próxima baixa e está perto de ser negociado com o Palmeiras, enquanto buscar reforços se torna complicado diante das constantes proibições de contratações impostas pela Fifa por inadimplência.
P.Vogel--VB