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Diretor da Microsoft diz em julgamento contra OpenAI estar 'orgulhoso' de investimento precoce
O diretor‑executivo da Microsoft, Satya Nadella, que depôs nesta segunda‑feira (11) no julgamento movido por Elon Musk contra a OpenAI, disse que estava "muito orgulhoso" do investimento inicial lucrativo de sua empresa na gigante de IA por trás do ChatGPT.
Musk, antigo benfeitor da OpenAI, afirma que a Microsoft ajudou seus criadores a trair sua missão filantrópica e transformar a empresa em uma máquina de fazer dinheiro.
Nadella declarou que o investimento da Microsoft, que hoje detém cerca de um quarto da OpenAI Group PBC, contribuiu para criar "uma das maiores e melhor financiadas organizações sem fins lucrativos do mundo".
A defesa de Musk alegou que documentos internos da Microsoft demonstravam que a companhia na realidade tinha o foco nos lucros, e não em ajudar a fomentar um serviço de IA filantrópico, depois de ver seu investimento inicial de US$ 13 bilhões (R$ 63,53 bilhões, na cotação atual) disparar para US$ 92 bilhões (R$ 449,59 bilhões) quatro anos mais tarde. A participação do grupo agora é avaliada em US$ 135 bilhões (R$ 659,72 bilhões).
"Se o bolo ficasse maior, obviamente a organização sem fins lucrativos também se beneficiaria em sua missão, e foi exatamente isso que se comprovou", afirmou Nadella.
Os advogados de Musk sugerem que a Microsoft foi fundamental na guinada da OpenAI rumo a uma empresa comercial, citando uma frase de Nadella em 2023: "Temos as pessoas, temos poder de computação, temos os dados, temos tudo."
Naquele ano, quando o fundador da OpenAI, Sam Altman, foi demitido, Nadella interveio para apoiá‑lo. "Eu também tentaria garantir que Sam e Greg [Brockman, seu cofundador] não criassem uma empresa concorrente e que se juntassem à Microsoft", disse Nadella.
No dia seguinte à saída de Altman, a Microsoft já havia criado uma subsidiária para recebê‑los e adquirir as ações dos funcionários que decidissem segui‑los, uma medida que um dos cofundadores calculou que teria custado aproximadamente US$ 25 bilhões (R$ 122,17 bilhões). Dias depois, Altman voltou a seu cargo na OpenAI.
- Conflitos internos -
O julgamento expôs os conflitos dentro de um círculo de engenheiros, investidores e executivos da elite do Vale do Silício antes do lançamento do ChatGPT em 2022.
Em sua ação, Musk acusa a OpenAI de trair sua missão original como organização sem fins lucrativos e de desviar suas doações fundacionais, que somam US$ 38 milhões (R$ 185,70 milhões), para construir um império que agora está avaliado em mais de US$ 850 bilhões (R$ 4,15 trilhões).
O fundador da Tesla pede que a OpenAI volte à sua condição original de organização sem fins lucrativos. Isso afetaria sua posição na corrida global pela inteligência artificial (IA) perante os seus concorrentes.
A OpenAI responde que Musk, que agora compete no campo da IA com sua empresa xAI, é movido por um impulso mesquinho de vingança, depois de ter saído irritado por não conseguir obter o controle majoritário.
Espera‑se que Altman preste depoimento na terça ou na quarta‑feira, antes dos argumentos finais no fim da semana. Um júri consultivo deve chegar a um veredito na semana de 18 de maio.
A juíza Yvonne González Rogers emitirá então a decisão final tanto sobre a responsabilidade quanto sobre as medidas de reparação, depois de ouvir a opinião do júri. Ela afirmou que provavelmente seguirá sua recomendação.
Se a juíza decidir a favor de Musk, a oferta pública inicial da OpenAI poderá ficar em risco.
Na semana passada, o bilionário anunciou uma aliança com a Anthropic, principal rival da OpenAI, para permitir o uso da capacidade de computação do maior centro de dados da SpaceX.
L.Meier--VB