Volkswacht Bodensee - Human Rights Watch teme uma Copa 'da exclusão e do medo' nos EUA

Human Rights Watch teme uma Copa 'da exclusão e do medo' nos EUA
Human Rights Watch teme uma Copa 'da exclusão e do medo' nos EUA / foto: © GETTY IMAGES NORTH AMERICA/AFP

Human Rights Watch teme uma Copa 'da exclusão e do medo' nos EUA

Preocupações com o acesso ao território americano, a liberdade de manifestação ou de imprensa: a ONG Human Rights Watch (HRW) alertou, nesta segunda-feira (27), para os riscos de uma Copa do Mundo de futebol 2026 marcada por "exclusão e medo" nos Estados Unidos.

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Em um documento destinado aos jornalistas que vão cobrir o evento principalmente nos Estados Unidos, mas também no Canadá e no México, a HRW avaliou que a política anti-migratória do presidente americano, Donald Trump, ameaça azedar a festa para migrantes e visitantes.

De suas instalações em Berlim, a HRW convidou outras ONGs para uma coletiva de imprensa sobre o evento máximo do futebol, que será disputado entre 11 de junho e 19 de julho nos três países da América do Norte.

"Os torcedores, os jornalistas e as demais pessoas que viajarem aos Estados Unidos (...) correm o risco de ter que enfrentar a prisão, a expulsão ou a discriminação em um panorama de direitos prejudicado pelas políticas da administração Trump", alertou Maja Liebing, da equipe encarregada das Américas na Anistia Internacional.

Em sua síntese, a Human Rights Watch acusa a Fifa de ter dado até agora uma "resposta tímida" e não ter "usado sua influência" com Washington.

O presidente da Fifa, Gianni Infantino, único dirigente esportivo presente na posse de Trump, não esconde sua proximidade pessoal com o presidente americano, a ponto de ter entregue a ele em dezembro um "Prêmio Fifa da Paz", criado para a ocasião e cujos critérios nunca foram explicados.

Andrea Florence, diretora da Sport & Rights Alliance, pediu à Federação Internacional de Futebol que "zele para que este Mundial respeite e faça os Direitos Humanos progredirem".

A HRW destaca que, com base em dados do governo americano, foram registradas 167.000 detenções nas onze cidades-sede do torneio de futebol entre a volta de Trump ao poder no início de 2025 e o começo de 2026.

A organização destacou, ainda, a detenção em um centro para migrantes e posterior expulsão por agentes do ICE (encarregados da detenção e expulsão de estrangeiros em situação irregular) de um solicitante de asilo que tinha viajado para assistir à final do Mundial de Clubes 2025 em Nova Jersey, na companhia de seus filhos.

Quatro países classificados para a Copa do Mundo (Irã, Haiti, Senegal e Costa do Marfim) poderiam jogar sem torcedores devido às proibições de viagem impostas pelo governo americano a cidadãos destes países.

T.Germann--VB