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Centenas de turistas retornam ao Morro Dois Irmãos após susto causado por operação policial
Um dia depois de mais de 200 turistas ficarem ilhados no mirante do Morro Dois Irmãos, na zona sul do Rio de Janeiro, devido a uma operação policial contra o tráfico de drogas, centenas de visitantes retornaram nesta terça-feira (21) para assistir ao nascer do sol, informaram jornalistas da AFP.
Os turistas ficaram ilhados por cerca de duas horas na segunda-feira no topo do morro Dois Irmãos, que tem vista para a praia de Ipanema e atrai milhares de visitantes todas as semanas, devido a um tiroteio entre policiais e membros do Comando Vermelho, uma das maiores facções criminosas do país.
Segundo a polícia, os traficantes abriram fogo contra os policiais quando estes chegaram à favela do Vidigal e colocaram "deliberadamente em risco moradores e frequentadores da região", tanto brasileiros quanto estrangeiros.
Mas o incidente não amedrontou os turistas, que retornaram ao mirante na manhã seguinte para apreciar o nascer do sol.
"Vimos que houve uma operação policial nessa favela ontem, a princípio ficamos um pouco preocupados, mas sabíamos que vir aqui de madrugada seria uma experiência inesquecível", disse à AFP Matteo Protti-Barbieri, um estudante francês de 23 anos.
"Ouvimos falar do tiroteio e conversei sobre isso com minha namorada, mas pelo que vimos até agora na América do Sul, o Rio tem sido um lugar bastante seguro: mesmo caminhando pelas favelas, todos foram muito amigáveis", comentou o australiano Nathan Ferdinands, também estudante de 23 anos.
Na opinião de William Souza Lima, um guia turístico local, o incidente recente "não vai prejudicar nem um pouco em relação aos roteiros nas comunidades", que cresceram nos últimos anos sob o nome de "Favela Tour".
A operação de segunda-feira resultou na prisão de três pessoas e não deixou feridos. Os turistas desceram o morro após receberem autorização da polícia.
O Rio recebeu mais de 2,1 milhões de visitantes internacionais em 2025, um recorde.
O incidente de segunda-feira ocorreu quase seis meses após a operação policial mais letal da história do país, em 28 de outubro, que deixou mais de 120 mortos nos complexos da Penha e do Alemão, na zona norte do Rio.
P.Staeheli--VB