Volkswacht Bodensee - Cuba, sob forte pressão dos EUA, anuncia indulto de 2.010 presos

Cuba, sob forte pressão dos EUA, anuncia indulto de 2.010 presos
Cuba, sob forte pressão dos EUA, anuncia indulto de 2.010 presos / foto: © Pool/AFP/Arquivos

Cuba, sob forte pressão dos EUA, anuncia indulto de 2.010 presos

O governo de Cuba anunciou na quinta-feira a libertação antecipada de 2.010 presos como um "gesto humanitário", parte do indulto da Semana Santa, a segunda soltura de detentos anunciada em menos de um mês, em um cenário de crescente pressão dos Estados Unidos.

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O indulto "aprovado pelo governo é um gesto humanitário e soberano", anunciado "no contexto das celebrações religiosas da Semana Santa", informa uma nota oficial lida na TV cubana.

O anúncio ocorreu pouco após o governo de Donald Trump aliviar o bloqueio petrolífero de fato que aplica à ilha há quase três meses, com a permissão de entrada de um petroleiro russo na ilha, que enfrenta uma profunda crise energética.

Trump não esconde o desejo de uma mudança de regime em Cuba, que fica a apenas 150 quilômetros do território dos Estados Unidos. Segundo Washington, a ilha representa uma "ameaça excepcional" por suas relações estreitas com Rússia, China e Irã.

Nos últimos meses, o presidente republicano multiplicou as ameaças contra Havana e chegou inclusive a falar em "tomar" a ilha, governada pelo Partido Comunista (PCC, único).

Ao anunciar o indulto, as autoridades cubanas não apresentaram uma lista dos presos que serão beneficiados, nem os motivos de sua detenção, mas informaram que são réus que cumpriram "uma parte importante das penas" e "mantiveram bom comportamento.

A nota também afirma que o governo levou em consideração o "estado de saúde" dos presos que serão indultados, que incluem "jovens, mulheres, idosos com mais de 60 anos", assim como "estrangeiros e cidadãos cubanos residentes no exterior".

O governo destacou que "foram excluídas pessoas que cometeram crimes de agressão sexual, pedofilia com violência, assassinato, homicídio, drogas, furto e (...) roubo com violência ou força com utilização de armas ou com vítimas menores de idade, corrupção de menores, crimes contra a autoridade, reincidentes e multirreincidentes".

O texto destaca que este é o quinto indulto realizado "pelo governo cubano desde 2011, pelos quais mais de 11.000 pessoas foram beneficiadas".

O governo anunciou em 12 de março a libertação antecipada de 51 presos como gesto de "boa vontade" com o Vaticano, mediador histórico entre Havana e Washington.

Um dia depois, o governo de Miguel Díaz-Canel anunciou que seu país mantinha conversações com os Estados Unidos, confirmando o que Trump já havia afirmado no início do ano.

O secretário de Estado americano, Marco Rubio, de origem cubana e crítico ferrenho do governo comunista, declarou na terça-feira ao canal Fox News que Cuba precisa de reformas econômicas e políticas.

"Não é possível corrigir a economia se não mudar seu sistema de governo", disse Rubio. "Eles estão em sérios problemas, não há dúvida, e teremos mais notícias a respeito muito em breve", acrescentou.

U.Maertens--VB