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Bill e Hillary Clinton vão depor no fim do mês sobre laços com Epstein
O ex-presidente Bill Clinton e sua mulher, a ex-secretária de Estado Hillary Clinton, vão depor no fim do mês, no Congresso americano, sobre seus laços com o financista Jeffrey Epstein, anunciou o comitê que investiga o caso, que havia ameaçado o casal com ações legais caso eles não se apresentassem.
O ex-presidente democrata vai depor no dia 27 e Hillary um dia antes, informou o Comitê de Supervisão da Câmara dos Representantes.
O comitê quer ouvir Bill Clinton por sua amizade com Epstein, e Hillary pelo que sabe sobre os laços entre seu marido e o financista, que se suicidou na prisão em 2019, antes de ser julgado por exploração sexual de menores. "Ninguém está acima da lei, e isso inclui os Clinton", ressaltou o presidente republicano do painel, James Comer, citado no comunicado.
Após se negar a comparecer por vários meses, o casal mudou de ideia na noite de ontem, pouco antes de uma votação na Câmara dos Representantes de um processo contra eles por obstrução.
Segundo Comer, "os Clinton cederam totalmente". Ele informou que as audiências serão filmadas e transcritas, e disse aguardar "com expectativa" o interrogatório dos Clinton na investigação "sobre os crimes horríveis de Epstein e Ghislaine Maxwell", cúmplice do financista, que cumpre pena de 20 anos de prisão.
Os republicanos afirmam que os vínculos do casal com Epstein, incluindo o uso do avião particular do financista antes de ele ser condenado, em 2008, por prostituição de menores, justificam um interrogatório presencial. Já os democratas afirmam que a investigação é usada para atacar os adversários políticos do presidente Donald Trump, que teve uma amizade com Epstein e não foi convocado a depor.
Trump passou meses tentando bloquear a divulgação dos expedientes da investigação relacionados ao caso. Nem o presidente nem os Clinton foram acusados de crimes penais relacionados às atividades de Epstein.
- Nomes não censurados -
O caso envolveu nomes conhecidos da política e expôs as disputas partidárias em meio ao escândalo, ao qual se somam, agora, denúncias das vítimas.
Um tribunal deve examinar amanhã um pedido para bloquear o acesso aos expedientes da investigação relacionados a Epstein, depois que as pessoas envolvidas afirmaram que seus nomes não haviam sido ocultados.
Na semana passada, o Departamento de Justiça publicou o que seria o último lote de documentos, fotos e vídeos dos arquivos Epstein, mas os nomes das supostas vítimas, que deveriam permanecer em sigilo, não foram censurados, segundo advogados citados pelo jornal The New York Times.
Em carta dirigida aos juízes, Brad Edwards e Brittany Henderson citaram um e-mail publicado entre os novos arquivos "em que se enumeravam 32 menores vítimas, com apenas um nome censurado e 31 visíveis". Outra mulher afirmou que seu endereço completo havia sido divulgado nos arquivos.
Os advogados solicitaram a "retirada imediata" da página do governo na qual eram exibidos.
A menção de um nome nos arquivos de Epstein não implica, por si só, qualquer conduta ilícita. No entanto, os documentos divulgados mostram algum tipo de vínculo entre o criminoso sexual ou seu círculo e figuras públicas que minimizaram ou negaram a existência de tais laços.
No último domingo, o Departamento de Justiça informou que trabalhava para realizar novas censuras nos arquivos, depois que jornalistas do New York Times encontraram dezenas de fotos de pessoas nuas com o rosto visível. Desde então, a maioria dessas imagens foi removida ou censurada, ressaltou o jornal.
R.Kloeti--VB