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Dois acidentes fatais em 48 horas levantam dúvidas sobre a segurança do sistema ferroviário espanhol
Apenas dois dias após a tragédia de Adamuz, cujo balanço subiu para 43 mortos, outro acidente ferroviário tirou mais uma vida na terça-feira (20) na região da Catalunha, aumentando as dúvidas sobre a segurança da rede ferroviária espanhola.
Por volta de 21h00 de terça-feira (horário local, 17h00 em Brasília), "um muro de contenção desabou sobre os trilhos, provocando uma colisão com um trem" de curta distância perto do município de Gelida, a cerca de 40 quilômetros de Barcelona, informou a Defesa Civil.
Um maquinista em treinamento, que estava na cabine com outros colegas e o maquinista principal, morreu, e 37 pessoas ficaram feridas, cinco delas em estado grave, segundo fontes do governo catalão.
As hipóteses iniciais sugerem que o muro desabou devido às fortes chuvas que atingiram a Catalunha nos últimos dias e afetaram o trem.
Após o acidente, que deixou a frente do trem completamente destruída, os serviços de curtas distâncias do noroeste espanhol, utilizados diariamente por milhares de passageiros principalmente para Barcelona, foram "suspensos (...) devido aos efeitos que a tempestade está causando na infraestrutura", afirmou a operadora da rede Adif.
Este último acidente ocorreu enquanto o país ainda se recupera da colisão de dois trens, que transportavam cerca de 500 passageiros no domingo, perto da cidade de Adamuz, em Andaluzia.
Especialistas ainda estão tentando determinar as causas da pior tragédia ferroviária do país desde outro descarrilamento em 2013, que matou 80 pessoas pouco antes de chegar à cidade galega de Santiago de Compostela.
Mais um corpo foi encontrado no local do acidente nesta quarta-feira, elevando o número de mortos para 43. Além disso, 37 feridos permanecem hospitalizados, nove deles em terapia intensiva.
- "É demais" -
Especialistas ainda estão investigando as causas da pior tragédia ferroviária do país desde outro descarrilamento em 2013, que matou 80 pessoas pouco antes de chegar à cidade galega de Santiago de Compostela.
A sucessão de acidentes colocou o serviço ferroviário espanhol, orgulho nacional por anos, e o governo de esquerda de Pedro Sánchez no centro das atenções. Sánchez havia prometido na segunda-feira, em Adamuz, "descobrir a verdade" sobre o acidente ainda sem respostas.
O sindicato dos maquinistas, Semaf, anunciou em nota sua intenção de convocar uma greve geral, considerando "esta situação de constante deterioração da ferrovia inaceitável".
"Isso é demais", escreveu no X Alberto Núñez Feijóo, líder do Partido Popular (PP), o principal da oposição, após o acidente em Gelida.
"Atrasos constantes, trens superlotados, avarias, desculpas e acidentes. Já vínhamos alertando sobre isso há muito tempo. Basta!", criticou o partido pró-independência catalão Juntos pela Catalunha nas redes sociais.
O ministro dos Transportes espanhol, Óscar Puente, indicou que pretende conversar com os maquinistas para suspender a greve e afirmou que o acidente na Catalunha ocorreu por causas "que nada têm a ver com o serviço ferroviário", mas sim com "condições meteorológicas".
A inquietação, no entanto, espalhou-se entre alguns usuários e visitantes deste país, o segundo destino turístico do mundo.
"Ultimamente, os trens têm tremido", disse à AFPTV Raluca María Pasca, uma garçonete de 45 anos na estação ferroviária de Córdoba.
- Sabotagem descartada -
Os últimos vagões de um trem da empresa privada italiana Iryo descarrilaram perto de Adamuz, enquanto viajavam de Málaga para Madri. Dois deles foram parar nos trilhos adjacentes, justamente quando um trem da empresa estatal espanhola Renfe, que seguia na direção oposta, de Madri para Huelva, estava prestes a passar e colidiu com os vagões.
Os investigadores descartaram inicialmente o excesso de velocidade dos dois veículos, que colidiram em um trecho reto, ou erro humano como causas do acidente. Agora, buscam explicações nos trilhos e nos próprios trens.
Uma foto da Guarda Civil, mostrando agentes inspecionando um trilho com ausência de um trecho, alimentou grande parte das especulações.
O ministro do Interior, Fernando Grande-Marlaska, rejeitou categoricamente a possibilidade de sabotagem.
"A possibilidade de sabotagem nunca foi considerada; pelo contrário, em todos os momentos e em todas as circunstâncias, apenas questões técnicas e relacionadas ao transporte ferroviário", afirmou na terça-feira.
A investigação deverá ser um processo "extremamente complexo", enfatizou o ministro dos Transportes. "Será longo", afirmou Puente em entrevista à televisão estatal.
Inaugurada em 1992, a rede ferroviária de alta velocidade da Espanha é a segunda maior do mundo, depois da chinesa, com 4.000 km de trilhos.
A.Ammann--VB