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Promotora aponta sinalizadores como causa de incêndio em bar na Suíça
O incêndio que devastou um bar na Suíça durante as comemorações de Ano Novo foi provavelmente causado por fogos de artifício ou sinalizadores acesos dentro do estabelecimento, afirmaram nesta sexta-feira (2) as autoridades, que trabalham para identificar os 40 mortos.
"Tudo indica que o fogo teve origem em fogos de artifício ou sinalizadores colocados sobre garrafas de champanhe, muito perto do teto. Isso causou um incêndio rápido, muito rápido e generalizado", declarou a promotora do cantão suíço de Valais, Béatrice Pilloud, durante uma coletiva de imprensa.
Enquanto as autoridades realizam o processo de identificação das vítimas, muitas famílias seguem sem notícias de seus entes queridos. Nas redes sociais circulam dezenas de publicações com fotos, descrições de roupas e apelos desesperados para obter qualquer pista sobre seu paradeiro.
"Tentamos entrar em contato com nossos amigos. Publicamos muitas fotos no Instagram, Facebook, em todas as redes sociais possíveis para tentar encontrá-los", disse Eléonore, de 17 anos.
"Mas nada, nenhuma resposta; ligamos para os pais, nada, nem os pais sabem de nada", continuou.
A promotora disse que foram mobilizados grandes recursos "para identificar as vítimas e devolver seus corpos às famílias o mais rápido possível".
"O trabalho pode levar vários dias", afirmou o chefe de polícia do cantão, Frédéric Gisler.
Além das vítimas fatais, as autoridades contabilizam 119 feridos, dos quais cerca de 50 foram ou serão transferidos para centros especializados em queimaduras graves de outros cantões suíços, afirmou Mathias Reynard, presidente do governo regional de Valais. Pelo menos 80 estão em estado crítico, acrescentou.
O incêndio começou por volta de 1h30 GMT de quinta-feira, 1º de janeiro (21h30 de quarta-feira em Brasília), no bar Le Constellation de Crans-Montana, um local frequentado por turistas, muitos deles jovens, que celebravam o Ano Novo.
As autoridades ainda não conseguiram determinar quantas pessoas estavam no bar de dois andares, um deles subterrâneo, com capacidade para pelo menos 300 pessoas, segundo o site do estabelecimento.
- "Atmosfera pesada" -
Nas ruas e nos cafés do centro de Crans-Montana, a tragédia estava em todas as conversas nesta sexta-feira.
"A atmosfera está pesada", declarou à AFP Dejan Bajic, um turista de 56 anos de Genebra que frequenta a estação de esqui desde 1974. "É como um pequeno vilarejo, todos nós conhecemos alguém que conhece alguém afetado".
Na rua em frente ao bar, várias pessoas depositaram flores.
As testemunhas que concederam entrevistas a vários meios de comunicação concordam sobre a possível causa da tragédia: sinalizadores posicionados em garrafas de champanhe que tocaram o teto do bar e provocaram o incêndio. Segundo várias pessoas, era algo habitual no estabelecimento.
O fogo provocou "um incêndio generalizado que causou uma ou várias explosões" no bar, segundo as autoridades locais, que descartaram de imediato a hipótese de um atentado e prosseguem com a investigação.
As autoridades interrogaram os gerentes do bar, um casal de franceses, mas "até o momento, não foi estabelecida nenhuma responsabilidade penal", indicou a procuradora de Valais.
Apesar do fogo, as paredes dos edifícios adjacentes ao bar não apresentavam marcas nesta sexta-feira. Até a placa do bar parecia intacta, assim como a estrutura de madeira da varanda, sinal de que o incêndio se concentrou sobretudo no subsolo.
As testemunhas descreveram cenas de horror, com pessoas tentando quebrar as janelas para escapar, enquanto outras, cobertas de queimaduras, corriam para a rua.
Um vídeo publicado nas redes sociais mostra o início do incêndio no teto, com um jovem tentando apagar o fogo com um grande pano branco. Ao seu lado, outros jovens filmam a cena, mas continuam dançando.
O presidente suíço, Guy Parmelin, que assumiu o cargo na quinta-feira, classificou o incidente como "uma calamidade de proporções sem precedentes e aterrorizantes".
- Estrangeiros entre as vítimas -
Entre os feridos identificados estão 71 suíços, 14 franceses, 11 italianos, quatro sérvios, um bósnio, um belga, um luxemburguês, um polonês e um português, detalhou a polícia nesta sexta-feira.
Uma célula de crise foi instalada no centro de convenções de Crans-Montana para receber e orientar as famílias.
D.Schlegel--VB