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Membros do júri no julgamento de Weinstein avançam apesar de desacordos
Os membros do júri que têm em suas mãos o destino do outrora poderoso produtor de cinema Harvey Weinstein avançaram nesta segunda-feira (9) rumo a um veredicto em seu julgamento por estupro e agressão sexual, após demonstrarem desacordos e tensões no terceiro dia de deliberações.
"Estamos no caminho certo", comunicaram em uma das últimas notas lidas pelo juiz Curtis Farber, antes de interromperem seus debates a portas fechadas no tribunal de Nova York.
Os 12 membros do júri devem decidir por unanimidade se o ex-produtor, acusado desde 2017 por dezenas de mulheres de ser um predador sexual, é culpado de agredir, em 2006, tanto a ex-assistente de produção Miriam Haley quanto a ex-modelo Kaja Sokola, e de estuprar a aspirante a atriz Jessica Mann em 2013.
O fundador dos estúdios Miramax, responsável por filmes cultuados como "Pulp Fiction" e por inúmeros sucessos como "Shakespeare Apaixonado", foi condenado em 2020 a 23 anos de prisão pelos fatos relativos a Haley e Mann, durante um julgamento que simbolizou então uma vitória do movimento #MeToo.
Após seis semanas de debates, o júri mostrou-se dividido com a retomada das deliberações nesta segunda-feira.
Seu representante pediu um espaço com o juiz para "confiar-lhe que alguns estão pressionando outros", falando sobre o "passado" de Weinstein sem examinar os fatos pelos quais está sendo julgado, segundo a transcrição da discussão fora da sala, fornecida pelo tribunal.
Denunciando um "júri tendencioso", Arthur Aidala, advogado de Weinstein, solicitou imediatamente a anulação do julgamento, mas o juiz negou o pedido.
O júri também pediu ao magistrado que relembrasse "a definição completa de dúvida razoável" e as condições de unanimidade do veredicto, de culpa ou inocência, "em particular para evitar um júri em desacordo", o que resultaria em uma nova anulação do julgamento.
Esses acontecimentos ocorreram após, na sexta-feira, outro membro do júri ter solicitado, sem sucesso, ser dispensado de suas obrigações, alegando um ambiente "de recreio escolar".
Último sinal de distensão, os membros do painel pediram nesta segunda-feira, em sua última nota ao juiz, "café" para a manhã seguinte.
Durante os debates, as três supostas vítimas testemunharam sem ocultar o rosto durante vários dias, para contar como o outrora poderoso produtor as obrigou a manter relações sexuais, após atraí-las para seu apartamento ou para um quarto de hotel em Nova York.
A defesa fez de tudo para desacreditá-las, apontando incoerências em seus relatos. Em sua última alegação, Aidala afirmou que as relações sexuais foram consensuais.
Weinstein comparece detido porque cumpre outra condenação de 16 anos imposta por um tribunal da Califórnia, também por agressões sexuais.
R.Buehler--VB