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Petro denuncia 'plano' que matou 27 militares e policiais na Colômbia
Quinze policiais e 12 militares foram mortos por traficantes de drogas e rebeldes na Colômbia nas últimas duas semanas em um "plano pistola" de "assassinato sistemático" de membros das forças públicas, denunciou o presidente Gustavo Petro nesta terça-feira (29).
O país vive o seu pior pico de violência desde a assinatura do acordo de paz de 2016 com os guerrilheiros das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc), em meio a negociações frustradas entre o governo e as organizações criminosas mais poderosas.
De acordo com Petro, o cartel com mais de 7.500 membros e as guerrilhas impõem um "plano pistola", no estilo do falecido Pablo Escobar na década de 1990, quando ele pagava por cada militar morto como parte de sua guerra aberta contra o Estado.
"É um assassinato sistemático de filhos do povo. Não vamos recuar", disse o mandatário de esquerda na rede X, publicando uma lista dos mortos desde 15 de abril.
O presidente atribuiu algumas das mortes a dissidências das Farc e ao Clã do Golfo, a maior facção de drogas do país.
"Intensificaremos a ofensiva contra o clã. Não há saída, ou eles desistem da atividade ilícita (...) ou é construída a aliança global para destruir o Clã do Golfo. Chegaremos aos aliados deles em Dubai", alertou.
Inúmeros ataques a delegacias de polícia ou estruturas militares se somam aos assassinatos de membros das forças de segurança em seus dias de folga.
No domingo, sete soldados foram mortos quando um pelotão no departamento de Guaviare sofreu uma emboscada e foi atacado por um grupo dissidente das Farc que mantinha diálogos de paz com o governo.
A Procuradoria solicitou ao Ministério da Defesa que enviasse um relatório sobre as "ações sistemáticas de violência" contra as forças de segurança.
O primeiro governo de esquerda da história da Colômbia mantém conversações com duas das cinco facções dissidentes das Farc e com uma pequena frente do Exército de Libertação Nacional (ELN).
Os diálogos não progrediram com a maior parte do ELN, o Clã do Golfo e o Estado-Maior Central, a maior dissidência das Farc, liderada por "Iván Mordisco", o criminoso mais procurado do país.
Na sexta-feira, o ministro do Interior, Armando Benedetti, reconheceu que a política de paz de Petro "não foi bem-sucedida".
A Colômbia tem cerca de 22 mil traficantes de drogas e rebeldes em armas. O conflito interno já causou quase 10 milhões de vítimas em seis décadas.
H.Kuenzler--VB