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Justiça da Turquia determina libertação de oito jornalistas; protestos continuam
A Justiça da Turquia determinou nesta quinta-feira (27) a libertação de oito jornalistas, incluindo o fotógrafo da AFP Yasin Akgül, que haviam sido acusados de participação nos grandes protestos que abalam o país, informaram seus advogados.
Entre os oito repórteres estão o fotógrafo Bülent Kiliç, ex-funcionário da AFP, e um jornalista de Izmir, terceira maior cidade do país, onde dois jornalistas continuam detidos, segundo a associação turca de defesa dos direitos humanos MLSA.
Os jornalistas foram detidos no contexto de uma onda de protestos iniciada com a detenção, em 19 de março por "corrupção", do prefeito de Istambul, Ekrem Imamoglu, o principal rival político do presidente Recep Tayyip Erdogan.
Seis dos sete jornalistas detidos em Istambul foram soltos ao meio dia do horário local.
Yasin Akgül, detido em outro presídio da cidade, será solto nas próximas horas, segundo seu advogado. O fotógrafo da AFP não será colocado sob vigilância judicial, embora as acusações contra ele não tenham sido retiradas, acrescentou.
Akgül, de 35 anos, e os outros sete jornalistas turcos foram detidos na madrugada de segunda-feira em suas residências, acusados de participação nos protestos proibidos pelo governo. As detenções provocaram muitas críticas internacionais.
A ONG Repórteres Sem Fronteiras (RSF) expressou "alívio" com o anúncio da libertação dos jornalistas e exigiu a liberação dos outros dois que continuam sob custódia das autoridades de Izmir.
As autoridades turcas, que proibiram as concentrações em várias cidades do país, anunciaram a detenção de mais de 1.800 manifestantes desde o início dos protestos, os mais importantes na Turquia desde 2013.
Na capital, Ancara, estudantes de medicina e alguns de seus professores se manifestaram novamente nesta quinta-feira, denunciando a política do governo.
Em Istambul, cenário dos protestos mais intensos, os estudantes também devem sair às ruas no final do dia, após uma noite mais tranquila do que nos dias anteriores, segundo jornalistas da AFP.
Em coletiva de imprensa em Istambul, o ministro da Justiça turco, Yilmaz Tunç, afirmou que o Judiciário turco é independente e imparcial, e reiterou que a Turquia é um "Estado de direito".
A prisão de Imamoglu não foi "política", disse.
K.Sutter--VB