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Equador oferece indulto preventivo a policiais e militares em guerra contra o crime
O presidente do Equador, Daniel Noboa, ofereceu, nesta sexta-feira (7), um "indulto" preventivo a policiais e militares mobilizados em uma conturbada região do porto de Guayaquil (sudoeste), onde vários choques armados entre facções deixaram 22 mortos e três feridos na quinta-feira.
A guerra de Noboa contra o crime organizado, mobilizando há um ano os militares nas ruas, foi questionada por organizações de direitos humanos por supostos abusos, assassinatos e desaparecimentos forçados.
"Todos os policiais e militares que atuaram e vão ser enviados a Nueva Prosperina (de Guayaquil) contam desde já com indulto presidencial", disse o governante no X.
No poder desde 2023 e buscando a reeleição, Noboa acrescentou que o governo precisa que as forças de segurança "atuem com determinação e sem temor a represálias".
"Defendam o país, eu defendo vocês", enfatizou o mandatário, que ganhou as eleições antecipadas de 2023 e que em fevereiro foi o mais votado no primeiro turno da eleição presidencial, indo ao segundo turno.
Noboa, que em 13 de abril enfrentará a esquerdista Luisa González, anunciou a proteção para policiais e militares depois de registros de violência na quinta-feira no setor de Nueva Prosperina, no noroeste de Guayaquil, onde um rígido estado de exceção está em vigor há dois meses e cujos portos estratégicos são os mais utilizados do país para o envio de cocaína para Estados Unidos e Europa.
O Ministério Público confirmou nesta sexta-feira que 22 pessoas foram assassinadas em três bairros dessa área populosa. Os confrontos também deixaram três feridos.
- Buscas, prisões e apreensões -
Mas o anúncio de Noboa também acontece meses depois de um suposto caso de violação dos direitos humanos em dezembro que deixou a população em alerta, quando quatro menores foram capturados por militares em Guayaquil e seus corpos depois apareceram queimados perto de uma base da Força Aérea nos arredores.
Dezesseis militares estão sendo investigados por este crime.
Em Nueva Prosperina, duas facções do grupo Los Tiguerones, uma das mais poderosas do país, se envolveram em vários confrontos pelos "benefícios das economias criminosas que se enfrentam nestes setores", de segundo a polícia.
As facções rivais Igualitos e Fénix surgiram dessa grande organização, que está entre as 20 com ligações a cartéis internacionais.
Rotulados de "terroristas" e "beligerantes" por Noboa, os grupos se modificam e se fortalecem com o tráfico de drogas.
Pelo menos 12 das mortes ocorreram no bairro Socio Vivienda, onde os criminosos desceram de um morro armados com rifles e pistolas para atacar casas, segundo a imprensa local.
O chamado Bloco de Segurança, criado pelo governo com militares e policiais para sua guerra contra o crime organizado, realiza uma grande operação chamada "Resurgir 8" em Nueva Prosperina.
"Realizamos cerca de 200 incursões na noite de ontem (quinta-feira) e na madrugada de hoje", disse à imprensa o general Pablo Dávila, chefe de polícia de Guayaquil, acrescentando que a operação deixou 14 pessoas detidas, incluindo dois menores.
- Assassinatos seletivos -
Dávila afirmou que membros das facções Igualitos e Fênix realizaram assassinatos "de forma seletiva" e que "eles vitimaram uns aos outros. A situação é que eles conhecem as casas, conhecem uns aos outros e estão lutando para ver quem tem o poder sobre esse território".
As forças de segurança apreenderam uma dúzia de armas e mais de 2.000 balas de diferentes calibres.
Noboa, que em janeiro de 2024 declarou o país em conflito armado interno, disse na semana passada que há quase dois meses ocorre "uma ofensiva de grupos criminosos, (...) mas agora cabe a nós realizar uma contraofensiva".
"Estamos mobilizando recursos e pessoal para as áreas onde há maior necessidade e onde há maior disputa entre esses grupos narcoterroristas", pontuou.
Há duas semanas, o presidente anunciou que pediria aos países aliados que enviassem "forças especiais" para reforçar sua guerra contra o narcotráfico.
A violência relacionada e estes grupos elevou a taxa de homicídios do Equador de seis a cada 100.000 habitantes em 2018 para 38 em 2024.
O Equador, com uma população de cerca de 18 milhões de habitantes, transita 73% da cocaína produzida no mundo, de acordo com um relatório do Ministério do Interior fornecido pelo Escritório das Nações Unidas sobre Drogas e Crime (UNODC).
R.Flueckiger--VB