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Patrulha de trenós Sirius: a elite que vigia os confins inóspitos do Ártico na Groenlândia
Donald Trump ridicularizou a defesa da Groenlândia como se ela não passasse de "dois trenós" puxados por cães, mas a patrulha Sirius está longe de ser uma piada. Essa unidade de elite da Marinha dinamarquesa atua em condições extremas, onde apenas os mais fortes sobrevivem.
A Dinamarca investiu bilhões de dólares para reforçar a proteção de sua extensa ilha no Ártico, mas, no inverno, a segurança das regiões geladas do norte e do leste da Groenlândia depende de seis equipes formadas por dois homens e uma dúzia de cães cada uma.
Entre janeiro e junho, quando o sol reaparece após dois meses abaixo da linha do horizonte, as patrulhas de trenós percorrem áreas desertas, com temperaturas que às vezes chegam a 40 ºC negativos.
Os cães puxam um trenó de 500 quilos com tendas resistentes a condições extremas, alimentos, combustível e outros suprimentos, permitindo alcançar um dos 50 depósitos espalhados pela região, em geral a sete ou dez dias de viagem.
A patrulha vigia uma área equivalente aos territórios da França e da Espanha juntos, cuja cobertura completa pode levar entre três e quatro anos.
"Se usamos um trenó e não uma motoneve é porque os trenós e os cães têm muita resistência", afirmou à AFP Sebastian Ravn Rasmussen, ex-integrante da patrulha Sirius.
"Uma motoneve pode quebrar rapidamente nessas condições", disse o dinamarquês, de 55 anos. "Quando uma motoneve quebra (...) você não consegue ir a lugar nenhum. E estamos muito, muito longe de casa", acrescentou.
"Os trenós quebram, mas podem ser consertados. E talvez percamos um, dois ou três cães em uma patrulha, mas ainda assim conseguimos seguir avançando, em velocidade menor", apontou.
Em emergências, as patrulhas estão preparadas para comer os cães e sobreviver, embora "a probabilidade de isso acontecer seja muito pequena".
- "Ver, sentir e pressentir" -
O presidente americano ameaçou repetidamente se apoderar da ilha, um território autônomo da Dinamarca rico em minerais, alegando que Copenhague não faz o suficiente para protegê-la da Rússia e da China.
Segundo Ravn Rasmussen, as patrulhas de trenós são mais eficazes do que helicópteros, satélites e aviões de alta tecnologia.
"Essa área é enorme, realmente enorme", lembrou. "No inverno, tudo é branco e, se você precisa monitorar uma área do ar, não consegue ver se uma motoneve se deslocou em direção a um fiorde".
Em terra, disse, é possível "ver, sentir e pressentir se houve outras pessoas na área que não deveriam estar ali".
Os integrantes da patrulha, cujas missões são classificadas, usam fuzis e pistolas como último recurso contra ursos-polares e bois-almiscarados.
Sobre as zombarias de Trump, Rasmussen afirmou que "os presidentes americanos vêm e vão, mas a patrulha Sirius permanecerá".
Entre 80 e 100 pessoas se candidatam todos os anos. Cerca de 30 ou 35 passam por testes físicos e mentais e, ao final, apenas cinco ou seis integram a patrulha. A maioria é dinamarquesa, com alguns groenlandeses, e nenhuma mulher se candidatou até agora.
As patrulhas de trenós começaram a operar no leste da Groenlândia durante a Segunda Guerra Mundial, mas só em 1950 o Exército dinamarquês estabeleceu uma presença permanente dessas equipes na ilha.
J.Sauter--VB