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Às vésperas da COP30, Brasil concede exploração de cinco blocos de petróleo
O governo brasileiro concedeu, nesta quarta-feira (22), os direitos de exploração de cinco blocos petrolíferos em águas profundas em alto-mar, dois dias após a Petrobras ter sido autorizada a realizar perfurações exploratórias marítimas perto da Amazônia.
A decisão confirma a aposta do país no petróleo, criticada por ambientalistas poucos dias antes da conferência climática COP30 da ONU na cidade de Belém do Pará.
Os leilões somaram um total de R$ 103,7 milhões. Dos sete blocos ofertados, que estão localizados em frente a Rio de Janeiro e São Paulo, cinco foram arrematados, e vários grandes grupos estrangeiros obtiveram direitos de exploração, entre eles a norueguesa Equinor e a chinesa Cnooc.
Estes blocos estão na zona do "pré-sal", onde há jazidas de potencial gigantesco localizadas em águas muito profundas, sob uma espessa camada de sal.
As empresas vencedoras se comprometeram a destinar parte de seus lucros ao Estado.
"Estamos muito satisfeitos com o resultado, muito acima do esperado", disse, em coletiva de imprensa, Artur Watt, diretor-geral da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP), Artur Watt, órgão público que organiza os leilões.
Entre as grandes companhias, a Equinor se destacou ao obter dois blocos, um que funcionará por conta própria e outro em consórcio com a Petrobras.
A petrolífera brasileira recebeu, na segunda-feira, uma licença do Ibama para iniciar a exploração em um bloco localizado a 500 km da foz do rio Amazonas, no norte do país.
A perfuração começou no mesmo dia em que foi autorizada, segundo a Petrobras.
Este megaprojeto conta com o apoio do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, mas é alvo de críticas de ambientalistas.
O diretor-geral da ANP afirmou, nesta quarta-feira, que "a manutenção das atividades de exploração e produção [de petróleo] no país são totalmente compatíveis com o cenário de transição energética", uma posição corroborada por Lula.
Esta transição deve ser acelerada "sempre pelo lado da demanda", disse Watt, mas "a gente não pode nunca pensar em restringir voluntariamente a oferta com o país, porque (...) se fizéssemos isso, essa oferta seria prontamente suprida por outros países em prejuízo dos interesses nacionais".
A.Zbinden--VB