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Presidente do Panamá tenta reabrir mina canadense apesar de moratória
O presidente do Panamá, José Raúl Mulino, afirmou, nesta quinta-feira (24), ter iniciado contatos para reabrir a maior mina a céu aberto da América Central, apesar de uma moratória vigente, determinada pela justiça, e da oposição de ambientalistas.
A jazida de cobre, da filial local da empresa canadense First Quantum Minerals (FQM), foi fechada em novembro de 2023, quando a Suprema Corte panamenha considerou "inconstitucional" o contrato de concessão, em meio a protestos contra o empreendimento que paralisaram parcialmente o país.
Para potencializar a economia panamenha, Mulino pretende reabrir a mina Cobre Panamá, situada perto da costa caribenha, embora não tenha dado detalhes do que fará para superar os obstáculos legais. Críticos e coletivos ambientalistas assinalam que sua atividade é altamente contaminante.
"Começou-se a estabelecer os contatos necessários, essa mina é do Panamá (...) e o Panamá vai explorá-la", apelando a "um operador que se encarregue do [aspecto] técnico", assinalou Mulino em sua coletiva de imprensa semanal.
"Será uma operação do Panamá, não um contrato com mais ninguém", acrescentou o presidente, reforçando que a reabertura será feita "com prudência", "dentro da lei" e "em função de um benefício econômico do qual se necessita veementemente".
No Panamá vigora uma moratória para a suspensão da mineração de metais, aprovada pelo Congresso em 3 de novembro de 2023, diante dos protestos nas ruas para fechar a mina.
As organizações ambientalistas que convocaram estas manifestações são contra a reabertura e ameaçaram voltar às ruas, após acusar o presidente de ficar ao lado da empresa.
Mulino deu suas declarações depois que a empresa canadense suspendeu as arbitragens internacionais nas quais buscava uma compensação de 20 bilhões de dólares (113 bilhões de reais, na cotação atual) pelo fechamento da mina.
Nas últimas semanas, tanto o governo quanto a empresa expressaram a disposição de negociar uma possível retomada das operações.
Mulino descartou assinar um novo contrato de concessão, pois dificilmente obteria o aval do Congresso. No entanto, não detalhou qual via usará para reabrir a jazida e acabar com a moratória.
A mina, que iniciou suas operações em 2019, produzia 300.000 toneladas de concentrado de cobre ao ano, que representavam 75% das exportações e 5% do PIB do Panamá. Além disso, empregava 37.000 trabalhadores de forma direta e indireta.
S.Spengler--VB