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Mais de 150 mortos pelas 'inundações do século' na Espanha
As piores inundações em mais de meio século na Espanha deixaram pelo menos 158 mortos, segundo um balanço divulgado nesta quinta-feira (31) pelas autoridades, que continuam as buscas pelas vítimas nas localidades devastadas pela água e pelo lamaçal.
"Neste momento, e de forma provisória, o número de vítimas fatais aumenta para 155 pessoas", indicaram em um comunicado os serviços de emergência da região de Valência, a mais afetada pelas chuvas torrenciais que caíram entre terça e quarta-feira.
Outras duas pessoas morreram na vizinha Castilla-La Mancha e uma terceira na Andaluzia.
O governo já havia alertado que o saldo, o mais elevado por um desastre meteorológico na Espanha desde as inundações que deixaram 300 mortos em outubro de 1973, iria aumentar, dada a quantidade de desaparecidos.
A emergência meteorológica "continua", advertiu nesta quinta-feira, em uma visita à região, o primeiro-ministro Pedro Sánchez, que pediu aos moradores de Valência que fiquem "em casa" para "proteger" vidas.
A agência estatal de meteorologia, a Aemet, decretou na manhã desta quinta-feira alerta vermelho pelas chuvas em Castellón, um município da Comunidade Valenciana ao norte das áreas mais afetadas, mas à tarde reduziu sua gravidade para laranja.
- "Precisamos de ajuda" -
Em Paiporta, município de 25.000 habitantes na periferia sul da cidade de Valência e onde morreram mais de 60 pessoas, não resta nenhum "comércio de pé (...) Precisamos de ajuda humanitária com alimentos, com água, porque não há água nas casas", disse à AFP David Romero, um músico de 27 anos.
Consciente de que muitas pessoas ainda procuram por seus entes queridos, Pedro Sánchez reiterou "o compromisso, por terra, mar e ar, por todos os meios, o tempo que for necessário, com todos os recursos possíveis, para encontrar agora mesmo as pessoas desaparecidas".
Após ter decretado três dias de luto, o dirigente socialista anunciou que será declarada catástrofe na região, para agilizar recursos destinados à reconstrução.
O presidente da Comunidade Valenciana, Carlos Mazón, já havia informado sobre uma ajuda de emergência de 250 milhões de euros (R$ 1,57 bilhão) para os afetados.
Milhares de valencianos continuavam sem eletricidade nesta quinta-feira, segundo os serviços de emergência.
Muitas rodovias seguem bloquedas, algumas pelo acúmulo de veículos arrastados pela água, cobertos de lama e de escombros. O trem de alta velocidade entre Madri e Valência permanecerá paralisado por cerca de três semanas, segundo o Ministério dos Transportes.
- Chuvas mais "destrutivas" -
"Vimos um jovem que estava em uma área aberta e foi levado pela correnteza", conta o eletricista de 32 anos. "Ele estava em cima do carro, tentou pular para outro, mas foi arrastado".
Segundo a Aemet, entre a noite de terça-feira e a madrugada de quarta-feira, várias cidades da região receberam mais de 300 milímetros de água. O nível máximo foi registrado na pequena localidade de Chiva, com 491 mm, o equivalente "a um ano de chuvas".
A imprensa espanhola, que descreve o episódio de "inundações do século", começa a questionar a reação das autoridades: a mensagem de alerta do serviço de proteção civil foi enviada na terça-feira às 20H00, embora a Aemet tenha declarado "alerta vermelho" durante a manhã.
A Comunidade Valenciana e a costa mediterrânea espanhola em geral enfrentam regularmente durante o outono (hemisfério norte, primavera no Brasil) o fenômeno da "gota fria", uma depressão isolada em altitude elevada que provoca chuvas repentinas e extremamente violentas, em algumas ocasiões durante vários dias.
Os cientistas alertam há muitos anos que os fenômenos meteorológicos extremos, como ondas de calor ou este tipo de tempestades, são cada vez mais frequentes e intensos devido às mudanças climáticas.
"No contexto da mudança climática, este tipos de evento de chuvas intensas e excepcionais se tornarão mais frequentes e mais intensos e, portanto, destrutivos", disse Ernesto Rodríguez Camino, membro da Associação Meteorológica Espanhola.
S.Spengler--VB