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Charles III pede que EUA se mantenha fiel aos aliados ocidentais
O rei Charles III pediu nesta terça-feira (28) que os Estados Unidos permaneçam fiéis a seus aliados ocidentais históricos, em um momento em que a "relação especial" com o Reino Unido enfrenta fortes tensões em torno das guerras no Irã e na Ucrânia.
A aliança entre ambos os países "não pode se sustentar nos feitos do passado", declarou o soberano britânico diante do Congresso dos Estados Unidos, após ter sido recebido pela manhã pelo presidente Donald Trump com uma pompa pouco habitual na Casa Branca.
"Os desafios que enfrentamos são grandes demais para que uma única nação os suporte sozinha", afirmou, instando Washington e Londres a defenderem valores comuns e a resistirem aos apelos para se retraírem "cada vez mais sobre si mesmos".
A crítica velada ao presidente americano foi feita da tribuna do plenário, na presença do vice-presidente JD Vance e das mais altas autoridades americanas, mas na ausência de Trump.
Os parlamentares democratas aplaudiram especialmente o trecho do discurso que mencionava o equilíbrio de poderes, interpretado também como uma alusão a Trump.
Charles III é o segundo soberano britânico a discursar no Capitólio dos Estados Unidos, em Washington, depois de um discurso de Isabel II, sua mãe, em 1991.
O rei também exortou os parlamentares, nesta terça-feira, a demonstrarem uma "determinação inabalável" na defesa da Ucrânia.
Seu apelo ocorre enquanto os europeus lamentam um distanciamento de Washington em seu apoio a Kiev frente à Rússia, tanto no campo de batalha quanto nas negociações diplomáticas.
Após uma ovação de pé, as primeiras palavras de Charles III foram para condenar a violência política.
Os disparos que ocorreram no sábado durante uma gala de imprensa à qual Trump comparecia tentaram "fomentar ainda mais o medo e a discórdia", lamentou o soberano. "Esses atos violentos nunca terão sucesso".
O monarca, conhecido por sua defesa da natureza, também pediu a proteção do meio ambiente.
- 21 salvas de canhão -
Pela manhã, Trump, muito afeito ao aparato monárquico, recebeu Charles III e a rainha Camilla com militares em traje de gala, uma banda de música, 21 salvas de canhão e o sobrevoo de aviões de combate.
"Que belo dia tão britânico temos hoje", brincou o presidente americano no início da cerimônia na Casa Branca, diante de convidados congelados e encharcados por uma chuva intermitente.
A viagem de Charles III ocorre enquanto os Estados Unidos celebram o 250º aniversário da declaração de independência da coroa britânica.
"Nos séculos que se passaram desde que conquistamos nossa independência, os americanos não tiveram amigos mais próximos do que os britânicos", disse Trump, destacando a "relação especial" entre os dois países. "Esperemos que sempre continue assim", acrescentou.
Trump e Charles III mantiveram em seguida uma reunião privada no Salão Oval.
O presidente americano, que havia ficado encantado com a recepção fastuosa que teve ao visitar o Reino Unido em setembro passado, declarou depois a jornalistas: "Foi uma reunião realmente boa. Ele é uma pessoa fantástica".
Seu vínculo com o rei contrasta com sua relação com o primeiro-ministro Keir Starmer. Trump não gostou que o líder trabalhista rejeitasse o uso de bases britânicas durante os primeiros bombardeios americanos contra o Irã.
Apenas o embaixador britânico nos Estados Unidos, Christian Turner, turvou um pouco o clima descontraído desta visita de Estado.
O Financial Times revelou nesta terça-feira que, durante uma troca em meados de fevereiro com estudantes britânicos do ensino médio, Turner afirmou que a "relação especial" dos Estados Unidos seria a que o liga a Israel, e não ao Reino Unido.
O rei, de 77 anos, voltará a discursar brevemente na noite de terça-feira durante um jantar de gala na Casa Branca.
S.Spengler--VB