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Cannes recebe o diretor iraniano Jafar Panahi após uma espera de 15 anos
O Festival de Cannes recebe, nesta terça-feira (20), o perseguido diretor iraniano Jafar Panahi, que pela primeira vez em 15 anos poderá apresentar pessoalmente seu novo filme, no mesmo dia em que a americana Scarlett Johansson estreia atrás das câmeras.
O filme de Panahi, "Um Simples Acidente", se junta à lista de filmes iranianos que nos últimos anos foram inscritos na competição pela Palma de Ouro ou simplesmente exibidos, apesar da pressão do regime dos aiatolás.
"O que começa como um pequeno acidente desencadeia uma série crescente de consequências", limita-se a dizer a sinopse do filme, que foi gravado clandestinamente e financiado por produtores franceses.
Pela primeira vez desde sua condenação em 2010, o cineasta dissidente poderá participar de um festival internacional de cinema, disse uma fonte próxima a ele na segunda-feira.
O premiado diretor, que também ficou preso por vários meses entre 2022 e 2023, conseguiu deixar Teerã com sua equipe para chegar a Cannes, de acordo com esta fonte.
Durante seus anos na prisão, Panahi ganhou o Urso de Ouro em Berlim em 2015 por "Taxi Teerã", o prêmio de Melhor Roteiro por "3 Faces" em Cannes em 2018 e o Prêmio Especial do Júri em Veneza em 2022 por "Sem Ursos". Ele não pôde receber nenhum de seus prêmios pessoalmente.
Panahi também é o vencedor do Leão de Ouro de 2000 por "O Círculo". Ele competiu pela última vez em Cannes em 2021 com o documentário "The Year Of The Everlasting Storm", que foi exibido na mostra de sessões especiais.
No ano passado, seu compatriota Mohammad Rasoulof chocou o festival ao chegar a Cannes depois de fugir de seu país cruzando clandestinamente a fronteira para a Turquia. Ele apresentou "A Semente do Fruto Sagrado" e ganhou o Prêmio Especial do Júri.
O outro filme em competição pela Palma de Ouro, apresentado nesta terça-feira, é "Fuori", do italiano Mario Martone, uma biografia da atriz e escritora italiana Goliarda Sapienza, ativista anarquista e feminista no século XX.
- O projeto mais pessoal -
O festival também contará com a estreia de Scarlett Johansson na direção, com "Eleanor the Great".
A estrela americana é conhecida por seus papéis em sucessos de bilheteria como "Viúva Negra" e a saga "Vingadores", mas também em filmes independentes como "Sob a Pele" e "Encontros e Desencontros".
Atriz desde os 10 anos de idade, Johansson explicou que aprendeu com os grandes diretores com quem trabalhou, como Woody Allen, Sofia Coppola e Jonathan Glazer, antes de se lançar em seu projeto mais pessoal, ao lado da roteirista Tory Kramen.
"Eleanor the Great" apresenta uma atriz mais velha, June Squibb (95 anos), indicada ao Oscar por "Nebraska" em 2013.
Sua personagem acaba de perder a melhor amiga, uma sobrevivente judia do Holocausto, e o desejo de Eleanor de prestar homenagem a ela a leva a cometer uma falha grave.
Completando o elenco principal está Erin Kellyman, jovem atriz britânica que se destacou em "Han Solo", filme da saga "Star Wars".
F.Stadler--VB