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EUA alcança acordo com TotalEnergies para trocar energia eólica por gás
O governo de Donald Trump e a TotalEnergies assinaram, nesta segunda‑feira (23), um acordo para reembolsar o gigante francês da energia em quase um bilhão de dólares, como compensação pelo abandono de seus projetos eólicos offshore nos Estados Unidos, para substituí‑los por investimentos em petróleo e gás.
Trata‑se de um acordo vantajoso para ambas as partes, resumiu o CEO da TotalEnergies, Patrick Pouyanné, no primeiro dia da conferência de energia CERAWeek em Houston, Texas. O anúncio foi feito em conjunto pelo secretário do Interior dos Estados Unidos, Doug Burgum, e por Pouyanné, que assinou o acordo em uma coletiva de imprensa realizada no local.
A TotalEnergies havia obtido duas concessões para parques eólicos offshore (em frente às costas de Nova York e da Carolina do Norte) em 2022, antes do retorno de Trump à Casa Branca, por 928 milhões de dólares (R$ 4,86 bilhões) em royalties. Porém, suspendeu esses projetos no final de 2024 devido à hostilidade do novo governo em relação à energia eólica offshore.
"Com este acordo, permitimos que esta importante empresa redirecione esses recursos do Tesouro para uma produção de gás natural e petróleo confiável, segura e rentável", declarou Burgum, cujo gabinete administra os recursos naturais. "Este governo acredita na realidade energética, não em fantasias climáticas", acrescentou.
O presidente dos Estados Unidos, cético em relação às mudanças climáticas e defensor da exploração petrolífera, tentou bloquear os cinco projetos de parques eólicos offshore em estágio mais avançado em nome da segurança nacional, mas até agora seus esforços fracassaram, já que os tribunais federais permitiram que continuassem.
O diretor‑executivo francês explicou, nesta segunda‑feira, que optou por inovar e ser "pragmático" ao negociar com o governo Trump, em vez de iniciar ações judiciais como fizeram outras empresas europeias, como Orsted e Equinor.
Na prática, o grupo recuperará cada dólar investido e destinará o montante equivalente para acelerar, principalmente, projetos de gás natural liquefeito (GNL) nos Estados Unidos, como a construção da usina de GNL de Rio Grande, com capacidade de 29 milhões de toneladas, e para a geração de eletricidade.
"Nos Estados Unidos, onde há enormes recursos e vastas extensões de terra para a produção de eletricidade, a energia eólica offshore não é a opção mais econômica", afirmou Pouyanné.
- Principal exportador americano de GNL -
Pelo contrário, argumentou que era melhor destinar o capital americano aos meios mais eficientes de produção de eletricidade: usinas termelétricas a gás, mas também painéis solares e baterias.
O grupo afirma ser o quinto maior produtor de eletricidade renovável nos Estados Unidos, com 10 GW de capacidade renovável instalada e em operação em território americano (solar, eólica onshore e baterias), além de outros 20 GW em desenvolvimento.
Mas, sobretudo, o acordo permite à TotalEnergies consolidar sua posição como principal exportadora de GNL americano, com 19 milhões de toneladas exportadas em 2025, o que representa 18% da produção americana, das quais 14 milhões de toneladas foram destinadas à Europa.
"Esses investimentos contribuirão assim para fornecer à Europa o GNL de que necessita", destacou Pouyanné em um comunicado de imprensa, mas também para "fornecer gás" às usinas de eletricidade e, portanto, para atender à enorme demanda de eletricidade dos "data centers nos Estados Unidos".
A TotalEnergies também assinou recentemente um acordo para exportar 2 milhões de toneladas anuais do futuro projeto de GNL do Alasca durante 20 anos.
Desde o início da guerra na Ucrânia, em 2022, a Europa recorre intensamente ao GNL americano - gás transportado em estado líquido por navio - para compensar a interrupção de seus abastecimentos por gasodutos provenientes da Rússia.
Em 2025, os Estados Unidos respondiam por 26% do total das importações de gás da União Europeia (GNL e gasoduto), ficando atrás apenas da Noruega.
R.Buehler--VB