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Ataques russos com mísseis balísticos deixam nove mortos em Kiev
Um ataque noturno russo com mísseis balísticos contra Kiev deixou nove mortos, informaram neste sábado (1) as autoridades locais, no momento em que o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, hesita em autorizar a Ucrânia a fabricar sistemas Patriot para interceptar os projéteis de Moscou.
Dos 27 mísseis balísticos lançados pela Rússia, a Ucrânia só conseguiu interceptar um, devido à escassez de recursos de defesa antiaérea, informou o presidente ucraniano, Volodimir Zelensky, na rede social X.
A Ucrânia pede com insistência aos países aliados que forneçam mais mísseis interceptores Patriot, de fabricação americana, atualmente seu único meio de defesa eficiente contra os ataques com mísseis balísticos, particularmente difíceis de neutralizar.
Desde junho, a Rússia intensificou o uso deste tipo de armamento de alta velocidade, o que provocou a morte de dezenas de civis ucranianos.
"É justamente a escassez de mísseis interceptores contra projéteis balísticos que não faz mais que encorajar a Rússia a continuar lançando este tipo de ataque, que custa vidas humanas", acrescentou Zelensky.
"Nove pessoas morreram na capital após o ataque inimigo", declarou o prefeito de Kiev, Vitali Klitschko.
"Registramos incêndios e danos em cinco bairros da capital", entre eles Solomianski, onde duas pessoas morreram e um edifício residencial de cinco andares ficou parcialmente destruído e pegou fogo, informaram os serviços de emergência ucranianos no Telegram.
Mais de 30 pessoas ficaram feridas nos ataques, segundo as autoridades.
Entre os prédios atingidos está a embaixada da Lituânia. O ministro das Relações Exteriores do país publicou imagens dos danos.
As explosões em Kiev acionaram os alarmes dos veículos estacionados nas ruas.
"Assim que a sirene tocou, mal tive tempo de sair para o corredor, até a entrada do prédio, e tudo começou a tremer", contou à AFP Katerina Kravchenko, de 75 anos, moradora da capital.
Na Rússia, o Ministério da Defesa anunciou que os ataques "de alta precisão" contra Kiev e sua região tinham como alvo "empresas do complexo militar-industrial e centros logísticos na Ucrânia".
- "Urgentemente" -
"A Ucrânia precisa urgentemente de sistemas adicionais de defesa antiaérea e antimísseis, assim como de mísseis interceptores. A rapidez na tomada de decisões e nas entregas é crucial", escreveu no X o ministro das Relações Exteriores do país, Andrii Sibiga.
Trump, que no início de julho havia expressado a disposição de autorizar a Ucrânia a produzir sistemas de defesa Patriot para enfrentar os ataques com projéteis balísticos russos, voltou a relativizar a possibilidade na sexta-feira.
Zelensky "gostaria de ter sistemas Patriot e gostaria de ter mísseis Tomahawk", declarou o republicano durante uma reunião de gabinete aberta à imprensa.
"Estas armas são incríveis. Precisamos ter muito cuidado antes de permitir que alguém as produza", advertiu. "Não demos nossa aprovação. Estamos discutindo".
Na quinta-feira, o presidente americano declarou ao jornal Financial Times que não tinha certeza se daria sinal verde a Kiev para a produção dos interceptores, os únicos capazes de derrubar os mísseis balísticos russos.
Mas, no momento em que Moscou intensifica os ataques, a Ucrânia precisa das armas com urgência. A escassez ficou ainda mais grave desde que Estados Unidos e Israel iniciaram a guerra contra o Irã, no fim de fevereiro.
Por sua vez, a Ucrânia intensifica os ataques contra cidades russas distantes da fronteira, uma campanha que, segundo Kiev, tem como alvo infraestruturas, em particular as do setor de petróleo.
Um navio da empresa estatal russa Rosatom (responsável pelo complexo energético nuclear do país), que transportava "mercadorias civis", foi afundado por um ataque de drones ucranianos no Mar Negro sem deixar vítimas, anunciou a companhia neste sábado.
R.Fischer--VB