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COP30 segue noite adentro a fim de destravar negociações climáticas
Os negociadores da COP30 decidiram, nesta segunda-feira (17), estender seu horário de trabalho até a noite na tentativa de destravar as tratativas e alcançar em Belém uma resposta coletiva à altura da emergência climática.
No início da segunda semana da conferência da ONU na capital paraense, a organização alertou sobre o risco de obstrução em temas como a adaptação às mudanças climáticas e as finanças.
"Peço-lhes que abordem rapidamente os temas mais difíceis", disse o secretário-executivo da Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas, Simon Stiell. "Não podemos nos dar ao luxo de perder tempo com obstruções", acrescentou.
A fim de acelerar as negociações entre os quase 200 países presentes e chegar a um acordo na sexta-feira, dia em que a COP deve terminar, o Brasil decidiu seguir com as reuniões durante a noite.
"Temos muitas reuniões em andamento, sem pressa para terminá-las, pois podemos fazer hora extra", disse a principal negociadora brasileira, Liliam Chagas. "Mostraremos que o multilateralismo pode entregar resultados", acrescentou.
O presidente da COP30, André Correa do Lago, reconheceu que a tarefa é árdua, mas esperava alcançar um primeiro consenso político na quarta-feira e incentivou os participantes a assumirem o desafio.
"É muito difícil, como sabem (...), mas todos os envolvidos acreditamos que vale a pena tentar", disse Correa do Lago, que multiplica sua presença nas reuniões e coletivas de imprensa nas instalações da COP30.
- Protecionismo -
Uma das medidas ambientais da União Europeia (UE), conhecida como "imposto sobre o carbono" das importações, é um dos pontos de atrito em Belém.
"A precificação do carbono é algo que devemos buscar com o maior número possível de países e o mais rápido possível", disse Wopke Hoekstra, comissário europeu do Clima, entre os presentes na reunião.
O argumento dos europeus é que permitir a entrada de produtos que não atendam aos padrões ambientais da UE representa uma concorrência desleal.
China, Índia e outros países aliados consideram que esse Mecanismo de Ajuste na Fronteira por Carbono (CBAM), da UE, é na verdade uma barreira ao comércio.
Em fase de testes desde 2023, o CBAM se concentra nas importações de produtos que geram altas emissões de carbono, como o aço, o alumínio, o cimento, os fertilizantes, a eletricidade e o hidrogênio.
Sua aplicação integral está prevista para 2026.
"Muitas delegações fizeram referência explícita ao CBAM da União Europeia como o novo capítulo" no tema do protecionismo, explicou à AFP uma fonte negociadora latino-americana sob a condição do anonimato.
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No entanto, grandes economias, da China à Arábia Saudita, não querem uma decisão que implique que até agora não estão fazendo o suficiente.
Por fim, muitos países do Sul, especialmente os africanos, querem lembrar aos países desenvolvidos a insuficiência de seu financiamento para os países em desenvolvimento.
O Brasil também pretende levar adiante um "mapa do caminho" para reduzir a dependência dos combustíveis fósseis, cujas emissões são as grandes responsáveis pelo aquecimento global.
- "Arca de Noé" -
É "uma espécie de Arca de Noé para que a gente possa olhar para nós mesmos e dizer [que] cada um de nós construiu esse processo", disse a ministra de Meio Ambiente e Mudança do clima, Marina Silva, referindo-se ao mapa do caminho.
A iniciativa é apoiada por países como França, Espanha e Colômbia, mas enfrenta a oposição de grandes produtores de petróleo, como a Arábia Saudita.
"A ideia é ver de que maneira costuramos esse mapa do caminho, definimos um calendário e marcos concretos", algo fundamental para manter "viva" a meta do Acordo de Paris de conter o aquecimento global a +1,5ºC, disse a ministra espanhola para a Transição Ecológica, Sara Aagensen.
F.Stadler--VB