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Protesto indígena bloqueia a entrada da COP30 em Belém
Com exigências para falar com o presidente Lula e alertas sobre a situação na Amazônia, dezenas de indígenas bloquearam de forma pacífica, nesta sexta-feira (14), a entrada principal da COP30, a conferência climática da ONU em Belém do Pará. O bloqueio durou cerca de duas horas.
A segurança do evento, organizado pelo governo brasileiro e pela ONU Clima, foi criticada após uma incursão na terça-feira de outros manifestantes indígenas, que forçaram a entrada no recinto e confrontaram agentes de segurança.
Nesta sexta, cerca de 60 membros da etnia munduruku, vestidos em sua maioria com roupas e adornos tradicionais, posicionaram-se em frente ao acesso principal do complexo e em uma rua adjacente, interrompendo temporariamente a agenda de dezenas de milhares de delegados e observadores.
"Lutar por nossos territórios é lutar por nossas vidas", dizia uma faixa carregada por um dos manifestantes, em protesto contra grandes projetos de infraestrutura na floresta amazônica.
A segurança do local foi reforçada com militares armados e portando escudos. Um grande número de policiais militares também era visível.
O presidente da COP30, André Corrêa do Lago, saiu para encontrá-los e reuniu-se com os manifestantes em um prédio próximo, junto com as ministras Sonia Guajajara, dos Povos Indígenas, e Marina Silva, do Meio Ambiente.
- "Lula, mostre a sua cara!" -
Na saída, o diplomata brasileiro reconheceu em declarações à imprensa as "preocupações muito fortes e muito legítimas" dos manifestantes.
"Vamos procurar levar adiante todas as preocupações que eles têm", acrescentou Corrêa do Lago.
Os indígenas munduruku reivindicam avanços na demarcação de suas terras. Também protestam contra um projeto ferroviário de mais de 1.000 km na Amazônia para escoar a produção de grãos.
"Vem, Lula, mostre a sua cara!", declarou a líder indígena Alessandra Korap. "Queremos ser ouvidos, queremos sentar nas negociações também (...) A gente tem problema demais", acrescentou.
O grupo também solicitou uma reunião com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que lidera as cruciais negociações sobre o clima em Belém.
Aliado declarado da causa indígena, o presidente tem a seu favor a homologação de 16 territórios indígenas, uma forte queda do desmatamento e a nomeação de Guajajara, uma figura respeitada, à frente do primeiro Ministério dos Povos Indígenas.
Mas seus críticos lamentam a lentidão na demarcação das terras indígenas e o aval do governo à exploração petrolífera perto da foz do rio Amazonas.
Na quarta-feira, o cacique Raoni advertiu Lula sobre o assunto: "Vou marcar um encontro com ele, e se precisar, vou puxar a orelha dele pra ele me ouvir".
Por fim, a entrada principal foi reaberta nesta sexta-feira, o que encerrou a espera de milhares de delegados que aguardavam do lado de fora sob o forte sol.
Nos incidentes da noite de terça-feira, manifestantes indígenas haviam forçado a entrada e confrontado os agentes de segurança. Dois policiais sofreram ferimentos leves, de acordo com a ONU.
O Brasil reforçou na quinta-feira a segurança da COP, depois que Simon Stiell, principal responsável climático da ONU, enviou uma dura carta às autoridades brasileiras se queixando das condições de segurança, segundo a imprensa.
Em comunicado, a ONU Clima afirmou que a "manifestação pacífica" desta sexta-feira não gerou "nenhum perigo".
G.Frei--VB