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IA 'não pode criar nada', afirma cineasta Christopher Nolan
A inteligência artificial (IA) pode proporcionar "ferramentas úteis" para o cinema, mas "não pode criar nada", afirmou à AFP o cineasta Christopher Nolan, que está prestes a lançar seu novo filme "A Odisseia".
"As ferramentas visuais resultantes deste avanço tecnológico serão, algumas delas, úteis, mas acho que a ideia de que vai substituir os seres humanos ou a criatividade humana é, na minha opinião, absurda", afirmou o diretor de "Oppenheimer" em Paris.
Segundo Nolan, cujo novo filme, de orçamento gigantesco e um elenco de estrelas, recria em live action a odisseia mitológica de Ulisses, a IA continuará dependendo sempre da criação humana.
Estes modelos "são especialmente algoritmos de amostragem. Eles pegam todos os meus filmes, pegam todas as suas palavras, trituram e cospem de novo. Mas, a menos que você lhes dê algo novo, não vão produzir nada, não podem criar nada", afirmou.
Para o autor da trilogia "Batman: O Cavaleiro das Trevas", há um autêntico descompasso entre o mundo empresarial, que idolatra a IA, e o público, que desconfia dela.
"Nunca vi uma tecnologia que tenha sido adaptada com tanto êxito por Wall Street, pelos investidores e pelas empresas tecnológicas, e que tenha sido rejeitada tão massivamente pelo público", explicou, em alusão à tendência da "AI slop" ("lixo digital") em vídeos gerados rapidamente por esta tecnologia.
Entre os jovens, disse o cineasta, "há uma espécie de desprezo por tudo o que está relacionado à IA e é bastante chamativo se compararmos com seu sucesso comercial. Acho que há muito ceticismo em relação a isso e que é totalmente justificado".
D.Schlegel--VB