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Apresentadora gerada por IA apresenta documentário em canal britânico
Uma emissora de televisão britânica transmitiu, na tarde desta segunda-feira (20), um programa sobre as mudanças que a inteligência artificial (IA) produz no mercado de trabalho, com uma apresentadora gerada por IA no lugar de uma jornalista.
"A IA afetará a vida de todos nos próximos anos. E fará com que alguns percam seus empregos", declarou a apresentadora Aisha Gaban, uma morena com cabelos na altura dos ombros. "Funcionários de 'call center'? Agentes de atendimento ao cliente? Talvez até apresentadoras de televisão, como eu", continuou.
Somente ao final do programa ela revelou sua identidade. "Eu não existo", disse, simplesmente, afirmando ser a primeira apresentadora gerada por IA da televisão britânica.
"Eu não estive nos locais para cobrir a notícia. Minha imagem e minha voz foram geradas por inteligência artificial", explicou, apesar de ter aparecido ao longo do documentário em diferentes locações.
O documentário, intitulado "A IA vai tirar meu emprego?", explora as transformações do trabalho com IA em diversos setores, como direito, música, moda e medicina.
Foi transmitido pela emissora pública Channel 4 como parte de seu programa investigativo Dispatches.
"Usar um apresentador gerado por IA não é algo que vamos adotar regularmente no Channel 4", garantiu Louisa Compton, chefe de notícias do canal.
"Pelo contrário, nossa prioridade (...) continua sendo um jornalismo de qualidade, verificado, imparcial e confiável, algo que a IA não é capaz de oferecer", acrescentou em um comunicado.
Mas essa experiência representa "um lembrete útil do potencial disruptivo da IA e da facilidade com que consegue enganar o público com conteúdo que não há forma de verificar", continuou a executiva do Channel 4.
Apresentadores gerados por IA já apareceram na televisão em vários países, como Índia e Kuwait.
Desde 2018, os programas noticiosos da agência de notícias oficial chinesa, Xinhua, foram apresentados por uma versão digital de um de seus apresentadores habituais.
Em setembro, Tilly Norwood, uma atriz também criada por IA com a ambição de se tornar "a próxima Scarlett Johansson ou Natalie Portman", provocou indignação em Hollywood.
L.Maurer--VB