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Ilhas Canárias se preparam para chegada do cruzeiro com surto de hantavírus
As Ilhas Canárias se preparam para a chegada no domingo do cruzeiro afetado pelo hantavírus e do diretor-geral da OMS, Tedros Adhanom Ghebreyesus, que coordenará in loco a evacuação dos cerca de 150 passageiros e membros da tripulação.
No local, no pequeno porto industrial de Granadilla de Abona, as pessoas entrevistadas pela AFP nos últimos dias expressaram sua "preocupação", seis anos após a pandemia mundial de covid que abalou o planeta.
O cruzeiro MV Hondius chegará às Canárias no domingo entre 03h00 e 05h00 GMT (00h00 e 02h00 de Brasília), segundo o governo espanhol. "Parte da tripulação" permanecerá a bordo e seguirá depois para os Países Baixos.
"Cheguei à Espanha, onde me juntarei a altos funcionários do governo em uma missão a Tenerife para supervisionar o desembarque seguro dos passageiros, membros da tripulação e especialistas em saúde do cruzeiro MV Hondius", escreveu no X o diretor-geral da OMS.
Antes de viajar às Canárias, o responsável da OMS se reunirá neste sábado em Madri com o presidente do governo, Pedro Sánchez, às 17h00 locais (12h00 de Brasília), no Palácio da Moncloa. Depois, embarcará para o arquipélago.
O dirigente reiterou que "até o momento, o risco para a população das Ilhas Canárias e em nível global continua sendo baixo".
As autoridades das Canárias se opuseram firmemente à atracação do MV Hondius, que finalmente ficará ancorado diante da costa antes das evacuações.
- Expectativa no porto -
Granadilla observava com certa incredulidade seu protagonismo nas notícias, enquanto mantinha o olhar voltado para o porto.
Embora a imprensa local destaque a "máxima expectativa mundial" com a chegada do cruzeiro a Granadilla, a alguns quilômetros do porto viam-se cenas habituais de um sábado: banhistas madrugadores, a feira ambulante e cafés da manhã no calçadão.
"Acompanhamos as notícias porque temos o navio aqui a três quilômetros. Trabalho em várias áreas de Granadilla e preocupa que haja algum perigo, mais do que tudo para algum trabalhador, mas também não vejo as pessoas muito preocupadas, sinceramente", explicou à AFP David Parada, vendedor de loteria na rua, impressionado com a quantidade de jornalistas na região.
O último balanço da OMS, divulgado na sexta-feira, registra um total de seis casos confirmados entre oito suspeitos, incluindo um casal de passageiros holandeses e uma alemã mortos por esse vírus conhecido, mas pouco frequente, para o qual não há vacina nem tratamento.
Essa doença pode provocar, em particular, uma síndrome respiratória aguda.
Três pessoas já haviam desembarcado em Cabo Verde na quarta-feira.
- Uma operação "inédita" -
O MV Hondius, da operadora holandesa Oceanwide Expeditions, partiu em 1º de abril de Ushuaia, no extremo sul da Argentina.
"A possibilidade de contágio em Ushuaia é praticamente nula", garantiu na sexta-feira Juan Petrina, diretor de Epidemiologia e Saúde Ambiental da província da Terra do Fogo.
A ministra espanhola da Saúde, Mónica García, explicou neste sábado que o cruzeiro chegará no domingo entre quatro e seis da manhã no horário local a Granadilla de Abona, na ilha de Tenerife, e ficará "em regime de fundeio, dentro da enseada do porto".
"Nem parte da bagagem nem o corpo da pessoa falecida [que continua no navio] desembarcarão nas Canárias; permanecerão a bordo junto com parte da tripulação", esclareceu a ministra.
O navio seguirá para os Países Baixos, onde o governo daquele país e o armador serão responsáveis por todo o processo de desinfecção, confirmou por sua vez o ministro do Interior, Fernando Grande-Marlaska.
As autoridades espanholas explicaram que os passageiros serão examinados primeiro a bordo do cruzeiro, que lançará âncora diante da costa.
Depois, o Exército os transferirá para terra firme em uma embarcação menor e, em seguida, em ônibus "isolados da população" local até o aeroporto de Tenerife Sul, situado a cerca de dez minutos, para depois serem repatriados de avião a seus países de origem.
O ministro do Interior especificou que primeiro desembarcarão os espanhóis e, depois, seguirão grupos por nacionalidade, desde que o avião esteja pronto para repatriá-los em voos previstos para os Estados Unidos, Reino Unido, França, Alemanha, Bélgica, Irlanda e Países Baixos.
Para os passageiros de países "que não fazem parte da UE e não dispõem de meios aéreos para garantir a repatriação de seus cidadãos", as autoridades espanholas "estão preparando um plano" em coordenação com os Países Baixos, o armador e a seguradora do navio, detalhou Fernando Grande-Marlaska em uma coletiva de imprensa.
O mecanismo elaborado "impede qualquer contato com a população civil", ressaltou o ministro.
- Rastrear e isolar -
Nos últimos dias, as autoridades sanitárias de vários países têm se esforçado para localizar as pessoas que estiveram em contato com os casos, a fim de isolá-las e realizar testes.
A Organização Mundial da Saúde insistiu que o risco de propagação desse vírus é "extremamente baixo".
"Trata-se de um vírus perigoso, mas apenas para a pessoa realmente infectada", afirmou em Genebra um porta-voz da OMS, Christian Lindmeier, assegurando que "não é uma nova covid".
A ministra espanhola da Saúde enfatizou neste sábado que "o risco de contágio para a população em geral é baixo. Consideramos que o alarmismo, a desinformação e a confusão são medidas contrárias aos princípios básicos de preservação da saúde pública".
O.Schlaepfer--VB