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Adolescentes palestinos amputados contam suas esperanças e seus sonhos perdidos
Mahmud Abu Nusair era apaixonado por futebol antes que disparos israelenses lhe custassem uma perna e destruíssem seus sonhos em Gaza.
Ele é um dos mais de 450 palestinos amputados que recebem atendimento médico, apoio psicológico e próteses em um centro em Amã e em Gaza, como parte de uma iniciativa lançada pela associação jordaniana "Restoring Hope Society".
Três deles contaram suas histórias à AFP.
Mahmud, 15 anos
Em 31 de outubro de 2025, Mahmud Abu Nusair saiu para buscar lenha em Deir el-Balah, no centro da Faixa de Gaza, quando uma bala atingiu sua perna direita.
O palestino de 15 anos, apaixonado por futebol, teve de passar por uma amputação abaixo do joelho depois que o ferimento se agravou, em um território cujo sistema de saúde foi devastado pela guerra entre Israel e o Hamas, desencadeada pelos ataques do movimento islamista-palestino em 7 de outubro de 2023.
Seu pé ficou roxo e exalava um cheiro desagradável, conta ele.
"O médico veio me ver e disse: 'Temos que amputar o seu pé'. Minha mãe respondeu: 'Não, doutor, é a alma dele. O que ele vai fazer se quiser sair, jogar futebol ou andar de skate, ou se quiser ir à praia ou dar um passeio? É um pecado cortar o pé dele'".
Sua primeira reação "foi gritar" de medo, acrescenta.
"Então, dei uma olhada nos feridos ao meu redor. Todos tinham amputado mãos, pernas então(...) eu disse ao médico: 'Ampute, doutor'".
Depois de ser baleado, ele teve de esperar meia hora até que uma carroça puxada por um cavalo parasse para levá-lo ao hospital Al-Aqsa e, posteriormente, ao centro Naser, em Khan Yunis, no sul da Faixa de Gaza. Ele permaneceu no local por duas semanas.
Ele recorda com nostalgia suas roupas esportivas e suas cinco bolas de futebol, que perdeu junto com sua casa durante a guerra.
Seu sonho agora é jogar "algum dia" em times palestinos de futebol para pessoas com deficiência.
Zuhdi, 17 anos
Zuhdi Abu Shanab, de 17 anos, também passa "a maior parte de seu tempo" no centro jordaniano, que dispõe de equipamentos médicos modernos e de uma oficina para a fabricação de próteses.
No dia 8 de setembro de 2025, ele ficou ferido junto com outras 27 pessoas em um bombardeio que deixou nove mortos em Khan Yunis.
"Eu tinha saído para fazer compras e encontrei um amigo e paramos para conversar. Quando bombardearam o prédio perto de onde estávamos, perdi a consciência. Quando acordei, estava ferido e ensanguentado", conta.
"Uma semana depois, os médicos me disseram que (...) eu tinha três veias seccionadas, assim como três artérias da perna. Fui operado para reparar essas veias e artérias, mas a operação falhou. Por isso, decidiram amputar toda a minha perna".
Zuhdi Abu Shanab espera se recuperar e em breve, voltar a Gaza. "Sinto a falta da minha mãe, dos meus irmãos e das minhas irmãs", confessa o menino.
Abdel-Rahman, 16 anos
Abdel-Rahman Rihan ficou ferido em um bombardeio que atingiu a casa de sua família em Jabaliya, no norte da Faixa de Gaza. O ataque ocorreu na manhã de 12 de janeiro de 2025.
O jovem 16 anos e seu pai sofreram ferimentos graves nos pés. Ambos foram levados a hospitais em Gaza, onde passaram por "operações difíceis e dolorosas", conta o adolescente. O "processo de recuperação" ainda não terminou.
Três de seus irmãos também ficaram feridos. Seu pai, Emad Rihan, "foi submetido a algumas cirurgias sem anestesia em Gaza", relata o adolescente.
Ele afirma que já passou por "18 cirurgias após a amputação".
"A guerra foi muito dura para nós", conclui, com resiliência:.
S.Spengler--VB