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Houthis do Iêmem tomam o controle de ilha crucial com acesso ao Mar Vermelho
Os houthis do Iêmen tomaram nesta sexta-feira (11) uma ilha de grande valor estratégico no Estreito de Bab el-Mandeb e passaram a controlar a passagem que dá acesso ao Mar Vermelho a partir do Oceano Índico, informaram à AFP uma autoridade local e várias testemunhas.
Na semana passada, o grupo rebelde pró-Irã, que domina amplas regiões do Iêmen, lançou uma ofensiva para controlar a rota marítima crucial que liga a Ásia e a Europa.
"Os navios que transportavam os combatentes houthis chegaram à ilha de Perim, depois que as forças do governo se retiraram ontem", quinta-feira, informou a autoridade, um funcionário do governo reconhecido pela comunidade internacional e apoiado pela Arábia Saudita, que controla apenas parte do país.
"Os houthis concluíram a tomada da área de Bab el Mandeb e da ilha de Perim, situada no centro do estreito", enfatizou a mesma fonte, que falou com a AFP sob condição de anonimato.
Uma testemunha disse que homens armados "estavam se posicionando ao longo da costa de Bab el-Mandeb", com veículos militares.
Os houthis são um movimento apoiado pelo Irã que controla, há mais de uma década, amplas regiões do oeste do Iêmen. O grupo está em guerra contra o governo iemenita reconhecido pela comunidade internacional, respaldado pela Arábia Saudita.
O Estreito de Bab el Mandeb ganhou ainda mais importância desde o início da guerra no Irã, em fevereiro, com os ataques dos Estados Unidos e de Israel.
Teerã utiliza como instrumento de pressão a paralisação na prática do tráfego pelo Estreito de Ormuz, que fica do outro lado da Península Arábica e é uma das principais vias mundiais para o tráfego de petróleo e gás.
Diante dos graves transtornos provocados na rota e para tentar contornar o bloqueio iraniano em Ormuz, a Arábia Saudita optou por aumentar suas exportações de petróleo a partir do porto de Yanbu, no Mar Vermelho, ocasionalmente atacado por Teerã nos últimos meses.
Segundo o portal americano Axios, o príncipe-herdeiro saudita, Mohammed bin Salman, pediu ao presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, que ordenasse ataques contra os houthis para conter o avanço dos insurgentes.
Trump recusou o pedido, apresentado duas vezes ao longo da quinta-feira, segundo o Axios, que cita fontes do governo americano. Uma delas explicou ao portal de notícias que Washington continuaria fornecendo informações de inteligência sobre os houthis e possíveis alvos a Riade, mas não cogita, neste momento, uma intervenção militar direta.
As águas ao sul do Mar Vermelho abrigam quatro ilhas: Zuqar, tomada pelos houthis na quinta-feira, Perim e as duas ilhas Hanish.
Fontes militares do governo iemenita disseram à AFP que os houthis cercaram as forças oficiais nas ilhas Hanish e que, acreditam, os rebeldes ordenaram a rendição das tropas.
- Ofensiva "apoiada e planejada" pelo Irã -
Os houthis aceleraram a ofensiva nos últimos dias em torno de Bab el-Mandeb e, na quinta-feira, tomaram a cidade portuária de Moca, 70 km ao norte do estreito.
Os preços do petróleo sentiram o impacto e o barril de Brent voltou a ser negociado nesta sexta-feira acima de 100 dólares, a US$ 104. O West Texas Intermediate, referência do mercado americano, tinha cotação próxima dos 100 dólares.
Antes da guerra no Oriente Médio, Bab el-Mandeb já era uma via crucial para o petróleo, com 12% da circulação mundial em 2023, segundo a Administração de Informação sobre Energia dos Estados Unidos (EIA).
Os petroleiros e navios comerciais procedentes da Ásia utilizam o Estreito de Bab el-Mandeb para chegar ao Mar Vermelho e depois ao Canal de Suez e ao Mediterrâneo, e no sentido inverso em direção ao Oceano Índico.
Em caso de bloqueio do estreito, a única alternativa, muito mais longa e cara, é contornar a África pelo Cabo da Boa Esperança.
Na cidade de Moca, diversas testemunhas afirmaram que viram combatentes houthis entrando na cidade, enquanto gritavam palavras de ordem contra os Estados Unidos e Israel, inimigos do Irã.
Em um comunicado, Tarek Saleh, comandante das forças que controlavam Moca, classificou a ofensiva houthi como "planejada e apoiada pelo Irã".
Após deixar Moca durante a noite, Mohamed, de 46 anos, descreveu à AFP um ambiente "apocalíptico" na cidade portuária histórica, que deu nome ao café 'moca' (ou 'mocha').
Até agora, os houthis controlavam grande parte do norte do país, incluindo a capital, Sanaa, assim como a importante cidade portuária de Hodeida, quase 200 quilômetros ao norte de Moca. Mas não controlavam zonas com acesso direto ao Estreito de Bab el-Mandeb.
Segundo a Organização Internacional para as Migrações (OIM), pelo menos 46.000 pessoas foram deslocadas desde a retomada da intensificação dos combates no sudoeste do país.
T.Suter--VB