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Secretário de Energia dos EUA supervisiona acordos bilionários de petróleo na Venezuela
O secretário de Energia dos Estados Unidos, Chris Wright, supervisionou nesta quarta-feira (2), em Caracas, a assinatura de acordos com multinacionais petrolíferas como Chevron e Eni, após um pacto inédito que concede a seu país o controle de 20% das gigantescas reservas de petróleo da Venezuela.
A americana Chevron, primeira produtora privada de petróleo na Venezuela, e a italiana Eni operarão vários blocos sob um contrato de produção que aumenta sua participação nos campos.
A visita de Wright a Caracas ocorre alguns dias depois de o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciar o "maior acordo petrolífero da história", que concede a Washington o controle majoritário sobre 65 bilhões de barris das reservas de petróleo da Venezuela.
O secretário americano se reuniu no Palácio de Miraflores com a presidente interina Delcy Rodríguez e disse esperar que esses acordos tragam "paz" e "prosperidade" para a Venezuela, que possui as maiores reservas de petróleo bruto do planeta.
O governo da Venezuela também firmou acordos com a empresa GE Vernova para reparar grande parte da rede elétrica do país.
- Investimentos e empregos -
"Acredito que os acordos assinados hoje, com bilhões de dólares em investimentos e, finalmente, a criação de muitos empregos, são essenciais para começar a trazer paz, oportunidades e prosperidade para todos", declarou o secretário de Energia americano.
Wright disse à televisão CNBC que a produção venezuelana, atualmente de 1,2 milhão de barris por dia (b/d), "superará os dois milhões de b/d até o final desta década".
Vestida com um traje branco, Rodríguez agradeceu a Trump pelo acordo histórico e afirmou que ele beneficiará ambas as nações.
"Quando falo em aumentar a produção, falo do bem-estar do povo venezuelano", disse Rodríguez. "Estamos falando do futuro da Venezuela e hoje também assinamos acordos de exploração. Entramos em uma nova etapa de exploração de novos campos e novas oportunidades para a Venezuela", acrescentou.
Trump considerou que a Venezuela "ainda não está pronta" para realizar eleições, e Rodríguez concordou com ele pouco depois. "Haverá um processo eleitoral, mas nas condições em que a Venezuela estiver preparada", afirmou a mandatária.
Durante a assinatura dos acordos, Mike Wirth, diretor-executivo da Chevron, afirmou que a petrolífera espera "investir mais de 7 bilhões de dólares e dobrar a produção" para mais de 500 mil b/d ao longo dos próximos cinco anos.
Esses acordos contemplam novas concessões na Faixa do Orinoco e termos legais, fiscais e comerciais atualizados, informou a empresa em um comunicado.
O governo da Venezuela afirma que a produção de petróleo aumentou quase 30% desde a derrubada de Nicolás Maduro em uma operação militar americana em 3 de janeiro.
No entanto, o número ainda está distante dos 3 milhões de b/d que a Venezuela chegou a produzir no final do século passado.
Delcy Rodríguez foi vice-presidente de Maduro até sua captura, quando se tornou presidente interina. Sob pressão de Washington, promoveu recentemente uma reforma que abriu o setor de petróleo e mineração ao capital privado.
Rodríguez afirmou que esse grande acordo com os Estados Unidos proporcionará à Venezuela ganhos de 209 bilhões de dólares (R$ 1,07 trilhão) ao longo de 25 anos.
Enquanto o parlamento venezuelano respaldou o acordo na terça-feira, um pequeno grupo de deputados da oposição se absteve de votá-lo até conhecer o documento completo.
Esse acordo inclui campos de petróleo administrados por empresas da Rússia e da China.
Washington está envolvido em uma guerra com o Irã que provocou uma forte alta nos preços do petróleo bruto. Conseguir petróleo mais barato é uma prioridade para Trump antes das eleições legislativas de meio de mandato, em novembro, nas quais seu Partido Republicano poderia perder o controle do Congresso. Especialistas estimam, no entanto, que o efeito desse acordo só será percebido daqui a alguns anos.
Na segunda-feira, a Casa Branca divulgou alguns detalhes do complexo acordo para controlar indiretamente os recursos petrolíferos venezuelanos.
Informou que o governo de Rodríguez concedeu à North American Blue Energy Partners (Nabep), a segunda companhia petrolífera privada a operar na Venezuela, "concessões por 100 anos para 17 campos petrolíferos com reservas provadas de aproximadamente 65 bilhões de barris".
Informou ainda que "a Nabep concedeu ao Escritório de Capital Estratégico do Departamento de Guerra dos Estados Unidos uma participação acionária de 35% em sua empresa controladora".
A Nabep foi fundada por um investidor venezuelano, Alejandro Betancourt, que enriqueceu com negócios pouco transparentes nos governos de Hugo Chávez (1999–2023) e de seu sucessor, Nicolás Maduro, e que enfrentou processos judiciais na Espanha e na Suíça por lavagem de dinheiro.
O.Schlaepfer--VB