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Irã ataca bases dos EUA no Oriente Médio e ameaça adotar 'nova estratégia'
O Irã ameaçou, nesta quarta-feira (2), adotar uma "nova estratégia" e intensificou as represálias no Golfo e em outras regiões, em resposta aos bombardeios americanos e à morte de quatro pessoas em um ataque a um casamento, na maior escalada do conflito em semanas.
A Guarda Revolucionária anunciou ataques contra bases americanas na Jordânia, nos Emirados Árabes Unidos, no Kuwait, no Bahrein e na região autônoma do Curdistão iraquiano.
Teerã também advertiu que adotará uma "nova estratégia".
"Em breve, vocês verão que a nova estratégia do Irã no campo de batalha, na diplomacia e no enfrentamento ao bloqueio econômico deixará seus alicerces em pedaços", publicou na rede social X o secretário do Conselho Supremo de Segurança Nacional do Irã, Mohsen Rezai.
Horas antes, o presidente americano, Donald Trump, havia ameaçado lançar ataques "muito mais fortes" caso o Irã respondesse à ofensiva dos Estados Unidos que, segundo o Exército iraniano e a imprensa estatal, matou 18 pessoas.
- "Funeral" em vez de casamento -
Desde o início do conflito, o Irã tem usado como instrumento de pressão seu controle do Estreito de Ormuz, onde a atividade comercial, salvo em ocasiões pontuais, permanece em níveis mínimos. Antes da guerra, 20% das exportações mundiais de petróleo e gás natural liquefeito passavam por essa rota marítima.
A Guarda Revolucionária afirmou nesta quarta-feira que dois petroleiros pegaram fogo após atingirem minas no Golfo enquanto navegavam fora da rota determinada pelas autoridades iranianas.
Segundo as autoridades iranianas, um ataque americano contra um casamento no sul do Irã matou quatro pessoas nesta terça-feira (1º), entre elas uma criança, e deixou 68 feridos.
Imagens de escombros e de pessoas gritando no local do casamento começaram a circular rapidamente na internet, enquanto equipes de resgate prestavam socorro às vítimas.
"Vocês, malvados, atacaram as casas das pessoas e transformaram um casamento em um funeral", afirma um homem em um vídeo divulgado pela agência de notícias Fars.
Em outras imagens, um jornalista da televisão estatal mostra um pedaço de metal carbonizado que, segundo ele, seria um fragmento do "míssil americano (...) que transformou uma festa de casamento em uma tragédia".
- "Mata como Satanás" -
O principal negociador iraniano e presidente do Parlamento, Mohammad Bagher Ghalibaf, chamou os Estados Unidos de "Satanás".
"Se uma potência age como Satanás, escolhe alvos como Satanás e mata como Satanás, é Satanás", afirmou Ghalibaf em uma publicação na rede social X, retomando o termo usado contra Washington desde a Revolução Islâmica de 1979.
O porta-voz do Comando Central dos Estados Unidos (Centcom), Tim Hawkins, afirmou que "as Forças Armadas americanas nunca atacam civis, ao contrário da Guarda Revolucionária" iraniana.
A mais recente rodada de combates começou no domingo, quando Washington atacou alvos iranianos.
As forças de Teerã responderam com ataques contra tropas americanas na Jordânia e nos Emirados Árabes Unidos, enquanto dois petroleiros foram atingidos por projéteis em ações que não foram reivindicadas.
Trump afirmou que os ataques de domingo foram realizados "em represália pela tentativa fracassada dos iranianos de instalar minas marítimas no estreito".
Segundo a televisão iraniana, a ofensiva americana desta terça-feira provocou explosões no sul do país, ao longo do estreito de Ormuz, e em uma ilha no Golfo. A emissora também informou sobre outro ataque contra um aeroporto na província de Kerman, no sul.
Também no sul do Irã, sete pessoas foram mortas e outras oito ficaram feridas na província do Khuzistão, informou a agência oficial Irna.
A Guarda Revolucionária informou que quatro integrantes de sua força aeroespacial morreram em um ataque americano na província ocidental de Kermanshah e que três paramilitares morreram em outro ataque contra a ilha de Lavan, no Golfo.
- "Um ataque coordenado" -
Segundo a Guarda Revolucionária, as represálias incluíram "um ataque coordenado com mísseis e drones contra bases americanas em Erbil", no Curdistão iraquiano, que destruiu um centro de manutenção, depósitos e o "sistema de orientação de um aerostato de vigilância americano", de acordo com um comunicado divulgado pela agência estatal Irna.
A Guarda Revolucionária também anunciou um ataque com mísseis balísticos contra um campo de treinamento dos fuzileiros navais americanos na Jordânia, no golfo de Aqaba, perto das fronteiras com Israel e a Arábia Saudita, segundo a agência iraniana Tasnim.
A guerra no Oriente Médio começou no fim de fevereiro com a ofensiva americana e israelense contra o Irã, que matou no primeiro dia o líder supremo iraniano, o aiatolá Ali Khamenei. Os Estados Unidos também mantêm um bloqueio naval aos portos iranianos.
O frágil cessar-fogo firmado em abril entre Estados Unidos e Irã ruiu após ataques contra navios comerciais no estreito de Ormuz.
Apesar do impasse diplomático, o presidente iraniano, Masoud Pezeshkian, se comprometeu a responder a qualquer iniciativa americana para retomar as negociações sobre um acordo destinado a pôr fim à guerra.
burs/th/jfx/arm/pc-erl/an/fp/lm/aa
P.Vogel--VB