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Trump ameaça bombardear Omã se o país assinar acordo com o Irã sobre Ormuz
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, ameaçou bombardear Omã se o país "ficar no caminho" de um acordo de Washington com o Irã sobre a administração do Estreito de Ormuz e pediu que Teerã se renda na guerra do Oriente Médio.
Irã e Omã negociam há meses um acordo sobre a navegação por esta via marítima, por onde transita boa parte do petróleo bombeado pelos países do Golfo.
O controle de Ormuz virou o ponto focal do conflito, após meses de bloqueio por parte do Irã — que atacou vários navios na região — e dos Estados Unidos, cujas forças implementaram um bloqueio naval aos portos iranianos.
O temor concreto do governo americano e de muitos países é que as negociações entre Omã e Irã resultem na cobrança de algum tipo de pedágio dos navios mercantes, o que não acontecia antes de Estados Unidos e Israel iniciarem, em 28 de fevereiro, a campanha militar contra a República Islâmica.
No atual cenário, Trump retomou sua retórica, desta vez contra Omã, um país aliado de Washington que não comentou publicamente as críticas do presidente americano.
"Se Omã ficar no caminho, vamos bombardeá-los e destruí-los", disse Trump ao jornalista Trey Yingst, da Fox News.
Trump também destacou que o Irã deveria "hastear a bandeira branca e se render", segundo uma mensagem publicada por Yingst no X a respeito de sua entrevista com o presidente.
- Negociações "sérias" -
Na segunda-feira, o Irã confirmou o prosseguimento das negociações com o vizinho Omã sobre futuros acordos de navegação no Estreito de Ormuz, por onde antes da guerra circulavam 20% do petróleo e do gás consumidos no planeta.
"As negociações entre Irã e Omã continuam de maneira séria", declarou um porta-voz do Ministério das Relações Exteriores iraniano. "Estamos trocando pontos de vista sobre o texto da declaração conjunta", acrescentou.
As conversações entre os dois países prosseguem após o colapso de um acordo provisório entre Estados Unidos e Irã, mediado pelo Paquistão, que pretendia manter Ormuz como uma via marítima internacional, aberta e livre de pedágios.
Trump insiste que o estreito está sob controle dos Estados Unidos, apesar da redução considerável no tráfego na região. Na sexta-feira passada, ele chegou a anunciar que declararia o Estreito de Ormuz como parte do território dos Estados Unidos, ao que Teerã respondeu de maneira veemente que Ormuz "continuará sendo iraniano".
Trump insiste que não tem pressa para alcançar um acordo, apesar da impopularidade da guerra entre os americanos antes das eleições legislativas de novembro, com a oposição democrata lutando para recuperar a maioria no Congresso.
O presidente disse a Yingst que existe um canal secreto direto entre sua administração e a Guarda Revolucionária iraniana (o exército ideológico de Teerã). "Eles são bons jogadores de pôquer, mas estão morrendo", afirmou.
C.Kreuzer--VB