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Palestinos da Cisjordânia denunciam estar "cercados" por colônias de israelenses
O palestino Amin Rahal e seus três irmãos estão sem trabalhar há semanas, revezando-se para proteger o que resta de suas terras de incursões dos colonos israelenses vizinhos no topo de uma colina na Cisjordânia ocupada.
"Nunca nos movemos daqui a menos que haja duas pessoas", explicou Rahal, de 31 anos, pai de três filhos, apontando para o telhado de uma casa pré-fabricada recém-instalada por um colono a cem metros de sua residência.
"Roubaram galinhas, terreno com oliveiras, danificaram os arbustos de sálvia do nosso quintal com seus quadriciclos, puseram ovelhas no nosso quintal e muito mais", contou à AFP.
Na semana passada, colonos do recém-inaugurado assentamento israelense de Emek Dotan, situado logo abaixo de sua casa, estenderam uma corda ao longo de seu terreno e proibiram que ele e sua família a atravessassem.
Do outro lado da corda, há uma granja de frangos e muitas oliveiras que a família Rahal perdeu sob ameaças de violência.
"Nosso medo é que ataquem as crianças, queimem uma das casas, nos ataquem à noite e entrem à força nas casas", como aconteceu em outros povoados da Cisjordânia onde os colonos se instalaram, afirmou.
Em 2026, o Escritório de Coordenação de Assuntos Humanitários da ONU registrou uma média de seis incidentes por dia envolvendo colonos na Cisjordânia.
Entre eles, incluem-se roubos, atos de vandalismo, incêndios provocados, agressões e, algumas vezes, homicídios. Os palestinos se queixam de que a maioria dos crimes cometidos contra eles ficam impunes.
- "Destruíram nossos sonhos" -
O norte do território, com suas numerosas comunidades palestinas e poucos colonos, se manteve relativamente à margem das tensões.
Em virtude de um plano aprovado há 21 anos, quatro assentamentos isolados - Homesh, Sa-Nur, Ganim e Kadim - foram evacuados, mas este ano, sob o governo do primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, os colonos voltaram.
Além disso, no fim do ano passado, foi aprovada a construção de outros 17 assentamentos no norte da Cisjordânia, com a intenção de conectar todas as colônias entre si, o que contraria os Acordos de Oslo, assinados nos anos 1990.
Embora os assentamentos em território ocupado sejam ilegais, segundo o direito internacional, estes acordos permitiram que Israel mantivesse assentamentos e demolisse construções palestinas em uma zona, denominada Área C, que abrange 60% da Cisjordânia sob controle israelense.
À margem de Jerusalém Oriental, anexada por Israel, atualmente meio milhão de colonos vivem na Cisjordânia, território ocupado desde 1967, junto a três milhões de palestinos.
Até agora, os palestinos consideravam que as casas situadas nas áreas A e B não corriam o risco de ser demolidas pelos israelenses, mas seus sentimentos mudaram.
Dentro de Jenin, importante cidade do norte da Cisjordânia, Israel estabeleceu uma base militar em plena Área A, supostamente sob controle palestino.
Em agosto, forças israelenses demoliram várias lojas em uma rodovia que liga Ganim a Kadim, onde caravanas de colonos estacionaram, conectadas à rede elétrica.
"Vieram nos ver diretamente e nos deram uma ordem oficial para evacuar a loja imediatamente, seguida de sua demolição", contou Bara al Damaj, dono de um estabelecimento comercial de produtos de pedra que foi derrubado.
"Em um instante, destruíram nossos sonhos", acrescentou. Segundo ele, desde que uma nova base militar foi construída na entrada de Ganim, há mais soldados israelenses na região.
- "Cercados" -
Mohamed, cuja casa, situada nas imediações, se salvou da demolição, segue temendo o que a presença crescente de colonos pode provocar.
O homem, que não quis revelar seu sobrenome por motivos de segurança, contou que seu filho foi detido e agredido recentemente pelo Exército enquanto caminhava por seu campo, e que não podem acessar seu segundo campo, do outro lado de uma nova estrada dos colonos.
Escavadeiras dos militares bloquearam a maioria das estradas agrícolas com escombros. Na aldeia de Deir Abu Deif, isso significa perder o acesso à cidade de Jenin.
"A situação é extremamente assustadora. Estamos cercados por todas as partes", afirmou Faij Rawajbi, cuja loja de produtos agrícolas foi demolida.
Rawajbi, de 38 anos, queixou-se que uma das equipes de segurança armadas dos assentamentos começou a assediar os moradores, fazendo controles de identidade como se fossem autoridades oficiais.
"Esta van branca nos apavora, assim como toda a zona leste" de Jenin, disse à AFP, enquanto o veículo passava pelo local.
"Aqui tudo foi transformado em assentamentos. Puseram nossas vidas de cabeça para baixo", acrescentou.
S.Leonhard--VB