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Rússia e Japão reacendem disputa territorial após visita de Putin às Ilhas Curilas
Rússia e Japão trocaram duras críticas nesta quinta-feira (13) após a primeira visita do presidente russo, Vladimir Putin, ao arquipélago das Curilas, no centro de uma disputa entre os dois países há décadas.
As relações russo-japonesas são marcadas por tensões em torno de quatro dessas ilhas no Pacífico Norte, das quais o Exército soviético se apoderou em 1945, no fim da Segunda Guerra Mundial.
Putin viajou nesta quinta-feira a Iturup, uma das ilhas em disputa, chamadas de Curilas do Sul pela Rússia e de Territórios do Norte pelo Japão. Lá, visitou uma escola e uma unidade de processamento de pescado e chegou a provar caviar.
"Que clima bom vocês têm aqui, é como um resort", diz Putin em um vídeo divulgado pelo Kremlin.
Trata-se da primeira visita de um presidente russo a esse território desde a realizada por Dmitri Medvedev em 2010.
Tóquio reagiu com firmeza à viagem de Putin: "Fere os sentimentos do povo japonês e é absolutamente inaceitável", declarou a primeira-ministra japonesa, Sanae Takaichi.
Por sua vez, o ministro das Relações Exteriores, Toshimitsu Motegi, convocou o embaixador da Rússia no Japão, Nikolai Nozdrev, para expressar-lhe seu "enérgico protesto".
Moscou rejeitou as críticas de Tóquio.
A porta-voz da diplomacia russa, Maria Zakharova, classificou as declarações de Tóquio como "juridicamente infundadas" e acusou o governo japonês de ter uma "política antirrussa que beira a hostilidade".
"Tóquio volta a estar obcecada por discursos revisionistas", acrescentou.
Após o início da ofensiva russa na Ucrânia, em fevereiro de 2022, o Japão havia afirmado, pela primeira vez desde 2003, que a parte mais meridional das Curilas estava "ocupada ilegalmente".
— A ONU pede "moderação" —
A ONU, por meio do porta-voz do secretário-geral António Guterres, lembrou que se trata de uma questão bilateral entre Estados-membros e instou ambos a agir com "moderação" e a evitar ações que possam agravar as tensões.
Putin viajou a Iturup um dia depois de ir à vizinha ilha russa de Sacalina, onde a Marinha realizava exercícios militares.
Enquanto esteve em Sacalina, realizou uma reunião "sobre a garantia da segurança das fronteiras orientais da Rússia", informaram os meios de comunicação estatais.
Os laços entre Japão e Rússia se deterioraram após as sanções impostas por Tóquio a Moscou pela guerra na Ucrânia, que Putin classificou na quarta-feira como "injustificadas".
"O Japão identificou a Rússia como uma grande fonte de ameaças. Gostaria de ressaltar que não estamos ameaçando o Japão (...) Pelo contrário, o Japão tem reivindicações territoriais contra nosso país", afirmou o presidente russo.
A Rússia se aproximou da China recentemente, e suas forças navais e aéreas realizam exercícios conjuntos em áreas próximas ao Japão, o que obriga os aviões japoneses a decolar em estado de alerta centenas de vezes por ano.
A Coreia do Norte, que neste mês denunciou o reforço militar do Japão, enviou soldados e munições para apoiar o esforço de guerra da Rússia contra a Ucrânia.
Desde 1945, Tóquio invoca o tratado de 1855, pelo qual a Rússia czarista e o Japão estabeleceram sua fronteira logo além das quatro ilhas em disputa: Iturup, Kunashir, Shikotan e Habomai.
A Rússia, por sua vez, baseia-se na Conferência de Yalta, de fevereiro de 1945, na qual os Aliados concordaram que as Curilas seriam cedidas à União Soviética em troca de sua entrada na guerra contra o Japão.
Cerca de 20 mil cidadãos russos vivem nas Curilas, que possuem jazidas de ouro e prata e ricas áreas de pesca, e que ganharam importância estratégica durante a Guerra Fria.
P.Vogel--VB