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Cuba abre setores de sua economia à iniciativa privada
Cuba anunciou, nesta quarta-feira (29), a abertura de setores de sua economia à iniciativa privada, o que permitirá investir em negócios como postos de gasolina, farmácias e lares de idosos, após o Parlamento aprovar um pacote de 176 medidas a favor da economia de mercado.
Estas áreas, que incluem instalações portuárias, são apenas algumas das que estão abertas à participação privada, segundo comunicados oficiais divulgados pela imprensa estatal.
O governo comunista reduziu drasticamente o número de atividades proibidas às companhias privadas, depois que o Parlamento aprovou, em 18 de junho, o pacote de medidas que inclui a organização de empresas privadas, o sistema bancário, a agricultura, o investimento estrangeiro, os salários e o mercado cambial, entre outros.
As novas regulamentações ampliam "de forma considerável o espectro de ação para os empreendedores e empresários privados na ilha", informou a imprensa estatal.
Setores como distribuição de gasolina, serviços farmacêuticos e ópticos, casas de repouso, terminais de passageiros e de carga, instalações portuárias, importação de veículos, energias renováveis e operações petrolíferas e de mineração (sob certas condições) estão agora abertos ao investimento privado.
Segundo as autoridades, mais de 15.000 pequenas e médias empresas estão autorizadas no país, número que reflete a recente aceleração na aprovação destes negócios, permitidos em 2021.
- Saúde e educação sob controle do Estado -
Os cuidados de saúde continuam sendo uma "responsabilidade do Estado" e "a atividade médica (...) segue garantida à população cubana com serviços hospitalares gratuitos", elucidaram os meios de comunicação estatais.
A educação também continua sendo de competência do setor público, com uma leve abertura para creches, ensino de idiomas e aulas de reforço.
Outros setores que permanecem sob controle estatal incluem os meios de comunicação, as telecomunicações, a segurança e os setores estratégicos.
Estes anúncios em favor de uma economia de mercado marcam uma virada histórica para a ilha e sua economia socialista de planejamento centralizado, há meses mergulhada em uma profunda crise e sob pressão máxima do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump.
Ao embargo econômico em vigor desde 1962, se somou em janeiro um bloqueio petrolífero de fato e uma série de sanções adicionais contra empresas e autoridades cubanas, o que levou a economia do país à beira do colapso, com apagões generalizados, além de escassez de alimentos, combustível, água potável e medicamentos.
Trump afirma que Cuba, situada a 150 quilômetros da Flórida, representa "uma ameaça extraordinária" à segurança nacional dos Estados Unidos e já ameaçou em várias ocasiões "tomar o controle" do país.
No domingo, o presidente cubano, Miguel Díaz-Canel, acusou os EUA de tentar "se apropriar do país" por meio do que considerou uma "política genocida".
F.Mueller--VB