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Irã e EUA anunciam ataques e se distanciam da possibilidade de acordo de paz
O Irã atacou bases dos Estados Unidos na Jordânia e no Bahrein nesta quarta-feira (10), no mais recente episódio de hostilidade com Washington após a derrubada de um helicóptero americano sobre o Estreito de Ormuz.
Os ataques representam o momento de maior tensão entre Washington e Teerã desde a trégua de 8 de abril, o que acabou com o tom otimista manifestado horas antes pelo presidente Donald Trump, que chegou a afirmar que as negociações de paz estavam na "fase final".
A escalada começou com a derrubada de um helicóptero americano Apache por parte do Irã, uma ação à qual Washington respondeu com bombardeios contra a República Islâmica.
As forças iranianas lançaram "mísseis de longo alcance" e "atingiram e destruíram quatro grandes alvos" na Jordânia, anunciou a Guarda Revolucionária em um comunicado citado pela agência estatal Irna.
O Exército jordaniano informou que destruiu cinco mísseis iranianos que tinham como alvo Azraq, onde fica uma base americana, sem relatar vítimas ou danos materiais.
As hostilidades se estenderam ao Bahrein, onde a Guarda também anunciou um ataque contra uma base americana.
O Exército do Kuwait afirmou que suas defesas aéreas repeliram "alvos aéreos hostis", sem mencionar inicialmente a origem do ataque. O Irã já atacou bases americanas no país.
A diplomacia iraniana afirmou nesta quarta-feira que países vizinhos do Golfo têm a "responsabilidade legal e moral" de impedir os ataques americanos e israelenses a partir de seus territórios. O ministro das Relações Exteriores, Abbas Araghchi, enfatizou que as forças militares da República Islâmica "não deixarão sem resposta nenhum ataque ou ameaça".
Pouco antes, o Exército dos Estados Unidos anunciou a conclusão do que Trump chamou de ataque de retaliação contra o Irã devido à derrubada de um helicóptero militar Apache. Os dois tripulantes sobreviveram e foram resgatados perto da costa de Omã.
O Comando Central dos Estados Unidos no Oriente Médio (Centcom) afirmou que atacou "sistemas iranianos de defesa aérea, estações de controle em solo e locais de radares de vigilância perto do Estreito de Ormuz".
- Acordo, sim ou não? -
A pergunta após os novos ataques é o que acontecerá com a via diplomática para tentar acabar com o conflito.
O porta-voz do Ministério iraniano das Relações Exteriores, Esmaeil Baqaei, disse que os Estados Unidos "estão prejudicando o processo diplomático com as mensagens contraditórias que estão enviando, com suas reiteradas mudanças de posição e de demandas e, o pior de tudo, com suas repetidas violações do cessar-fogo".
China e Rússia pediram uma desescalada imediata.
"Estamos extremamente preocupados com a nova rodada de confrontos", declarou um porta-voz do Ministério das Relações Exteriores russo. A China pediu " medidas concretas para aliviar e reduzir as tensões".
Segundo a imprensa oficial iraniana, na noite de terça-feira foram ouvidas explosões em vários pontos da costa sul do Irã, perto do Estreito de Ormuz, rota fundamental para o trânsito mundial de petróleo, que continua bloqueada.
Na cidade portuária de Sirik, no sul do Irã, quase 20.000 pessoas ficaram sem água potável após os ataques dos Estados Unidos que atingiram dois reservatórios na região, informou a televisão estatal nesta quarta-feira.
Poucas horas antes, Trump havia declarado que as negociações para acabar com mais de três meses de guerra estavam na reta final. É questão de "dois ou três dias", disse.
Mas, após a queda do helicóptero, Trump disse em uma entrevista ao canal ABC News que o país responderia "de maneira forte".
O frágil cessar-fogo entre Washington e Teerã foi testado no fim de semana, quando Irã e Israel retomaram a troca de ataques, antes do anúncio da suspensão das hostilidades.
O estopim da crise foi um ataque contra Beirute, a capital do Líbano, que foi arrastado para o conflito em 2 de março, quando o movimento pró-iraniano Hezbollah lançou foguetes contra Israel.
As tropas de Israel responderam com bombardeios e uma invasão terrestre, ações que mataram mais de 3.600 pessoas. Os confrontos com o Hezbollah não foram interrompidos, apesar de duas supostas tréguas.
O Irã insiste que qualquer acordo para acabar com a guerra no Oriente Médio deve incluir a questão libanesa.
- Tensão em Ormuz -
Os novos combates ofuscaram os esforços para tentar reabrir o Estreito de Ormuz, que o Irã mantém praticamente bloqueado desde o início da guerra.
Os preços do petróleo permanecem estáveis nesta quarta-feira, depois de uma queda de 5% na terça-feira após as declarações otimistas de Trump.
O bloqueio, no entanto, provocou uma das perturbações mais graves "já observadas" no sistema energético mundial, afirmou nesta quarta-feira o CEO da Shell, Wael Sawan, que acredita que o retorno ao equilíbrio levará mais de um ano.
"Já estamos há 100 dias (com o bloqueio), com mais de 10% da produção mundial de petróleo fora do mercado (...) e quase 20% da produção de gás natural liquefeito parada", afirmou Sawan em uma reunião empresarial em Londres.
burs-mjw/hmn/mas/dbh/fp/aa
L.Maurer--VB