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Palestinos estão 'presos' entre forças israelenses, colonos e Hamas, diz investigação da ONU
Os palestinos da Cisjordânia ocupada e da Faixa de Gaza estão presos entre as "atrocidades em massa" das forças israelenses, dos colonos e do governo brutal do grupo islamista Hamas, adverte uma investigação solicitada pela ONU nesta terça-feira (9).
Segundo a Comissão Internacional Independente de Investigação da ONU, esses palestinos são submetidos "de forma sistemática e deliberada" a graves violações de seus direitos.
A mesma equipe de investigação concluiu, no ano passado, que Israel havia cometido "genocídio" na guerra em Gaza.
Na Faixa de Gaza, "os palestinos comuns se veem presos entre a violência estrutural e as atrocidades em massa das forças israelenses e o governo predatório e baseado no medo do Hamas", afirma o relatório.
Na Cisjordânia, o documento descreve como os civis palestinos são cada vez mais alvos de ataques de colonos israelenses.
"A violência dos colonos é o resultado direto das políticas israelenses que apoiam, facilitam e protegem suas ações", declarou em um comunicado o presidente da comissão, Srinivasan Muralidhar.
As forças vinculadas ao Hamas, ao mesmo tempo, "exploram o vazio criado pelos ataques incessantes israelenses e pela destruição generalizada de Gaza", acrescentou Muralidhar.
Em maio de 2021, o Conselho de Direitos Humanos da ONU criou a comissão de três membros para investigar supostas violações de direitos em Israel e nos territórios palestinos.
Na Cisjordânia, soldados ou colonos israelenses mataram pelo menos 1.080 palestinos desde outubro de 2023, segundo uma contagem da AFP baseada em dados do Ministério da Saúde palestino.
Segundo números oficiais de Israel, pelo menos 46 israelenses, tanto civis como soldados, morreram em ataques palestinos ou durante operações militares israelenses no mesmo período.
A investigação concluiu que pelo menos 26 palestinos morreram e pelo menos 1.570 ficaram feridos por colonos entre janeiro de 2023 e dezembro de 2025.
A violência dos colonos "funciona como um meio de implementar a política do Estado de Israel", acrescenta o relatório.
A investigação insta o governo israelense a deter a violência.
Em um comunicado publicado nesta terça-feira, a missão israelense na ONU em Genebra "rejeitou" o documento ao afirmar que "busca estabelecer uma falsa equivalência moral entre os terroristas do Hamas e os civis israelenses", baseada em "informação falsa".
A comissão da ONU também acusou as forças ligadas ao Hamas de graves abusos de direitos, incluindo os "crimes de guerra de assassinato e tortura" em Gaza.
A investigação identifica 249 casos de execuções e violência física severa em 2024-2025, que provocaram pelo menos 108 mortes e 384 pessoas feridas.
A comissão conclui que forças vinculadas ao Hamas estavam envolvidas em pelo menos 60 destes incidentes.
C.Kreuzer--VB