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EUA ameaça com mais bombardeios se Irã 'tomar decisão errada'
Os Estados Unidos voltarão a bombardear o Irã se Teerã "tomar a decisão errada", ameaçou nesta quinta-feira (16) o secretário de Defesa americano, Pete Hegseth, que prometeu manter bloqueados os portos iranianos "pelo tempo que for necessário".
Paralelamente a essas ameaças, o Paquistão media para alcançar um segundo ciclo de diálogos entre Irã e Estados Unidos, e o presidente americano, Donald Trump, anunciou que Israel e Líbano acordaram um cessar-fogo de 10 dias.
O conflito no Oriente Médio, que começou em 28 de fevereiro com bombardeios dos Estados Unidos e de Israel contra o Irã, deixou milhares de mortos, sobretudo no Irã e no Líbano, e abalou a economia mundial.
Agora, o mundo espera que se prolongue o cessar-fogo de duas semanas na frente iraniana, que entrou em vigor em 8 de abril e expira na próxima semana.
O influente chefe do Exército do Paquistão, Asim Munir, está no Irã e se reuniu nesta quinta-feira com o presidente do Parlamento, Mohammad Bagher Ghalibaf, considerado um interlocutor-chave por Teerã.
Com a mediação do Paquistão, Estados Unidos e Irã acordaram uma trégua e realizaram um primeiro ciclo de diálogos no fim de semana passado em Islamabad, que terminou sem acordo.
O Líbano ficou excluído dessa trégua e os Estados Unidos sediaram esta semana as primeiras conversas diretas de alto nível em décadas entre Israel e representantes libaneses, que avançaram rumo a um acordo para cessar as hostilidades que entraria em vigor nesta quinta-feira, com a questão do movimento islamista libanês Hezbollah ainda pendente.
O Líbano foi arrastado para o conflito em 2 de março, quando o movimento xiita libanês Hezbollah, pró-Irã, atacou Israel em retaliação aos bombardeios contra seu aliado Irã.
Segundo autoridades libanesas, os ataques israelenses mataram mais de 2.000 pessoas e deixaram pelo menos um milhão de deslocados.
- "Nenhuma data" -
Por enquanto, o Irã mantém fechado o Estreito de Ormuz, uma via crucial para o transporte de hidrocarbonetos, e Washington impôs desde segunda-feira um bloqueio a navios que vêm de ou se dirigem a portos iranianos, uma medida que, segundo Hegseth, "funciona".
"Se o Irã tomar a decisão errada, enfrentará um bloqueio e bombas caindo sobre sua infraestrutura, sua rede elétrica e suas instalações energéticas", ameaçou o chefe do Pentágono.
O Irã, por sua vez, ameaçou também bloquear o Mar Vermelho, mas insistiu em sua disposição para negociar.
Negociar, sim, mas com condições: Teerã exige que se respeite seu direito de desenvolver um programa nuclear civil e afirmou que só está disposto a discutir "o nível e o tipo de enriquecimento" de urânio.
Quase sete semanas após o início da guerra, os objetivos de Israel e dos Estados Unidos continuavam sendo "idênticos", assegurou o primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, ao citar "o abandono da capacidade de enriquecimento dentro do Irã".
Nesta quinta-feira, o ministro da Defesa israelense, Israel Katz, advertiu que, se o Irã rejeitar uma proposta americana na qual se exige que renuncie ao "armamento nuclear", suas forças lançarão ataques "ainda mais dolorosos" contra novos alvos.
Mas, de qualquer forma, por enquanto não foi fixada "nenhuma data" para uma segunda rodada de conversas, disse à imprensa o porta-voz da chancelaria paquistanesa.
O presidente do Parlamento iraniano havia afirmado, antes do anúncio de Trump sobre o Líbano, que a instauração de um cessar-fogo ali também era "uma questão" que considerava "primordial".
- Hezbollah respeitará trégua se Israel cessar seus ataques -
O primeiro-ministro libanês, Nawaf Salam, afirmou que "acolhe com satisfação" o anúncio sobre um cessar-fogo e declarou que é "uma demanda-chave" que seu país buscou desde o primeiro dia da guerra entre Hezbollah e Israel.
Por sua vez, o deputado do Hezbollah Ibrahim al Musawi disse à AFP que seu grupo respeitará o cessar-fogo, se Israel deixar de atacar o movimento pró-Irã.
"Nós, no Hezbollah, aderiremos cautelosamente ao cessar-fogo, desde que haja uma interrupção total das hostilidades contra nós e que Israel não o aproveite para realizar assassinatos", disse o parlamentar. "Agradecemos ao Irã por ter pressionado o Líbano a nosso favor".
Trump anunciou nesta quinta-feira que convidará à Casa Branca o primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, e o presidente do Líbano, Joseph Aoun.
Antes da entrada em vigor da trégua, às 21h00 GMT (18h00 de Brasília), o Exército israelense destruiu uma ponte-chave no sul do Líbano e matou uma pessoa ao bombardear uma estrada que conecta Beirute a Damasco, e a formação pró-Irã reivindicou ataques contra posições militares no norte de Israel.
burs-ec/dcp/mvl/mas/hgs/an/mvv/aa/am
M.Vogt--VB