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Líbano e Israel iniciam negociações em Washington
O secretário de Estado dos Estados Unidos, Marco Rubio, conclamou nesta terça-feira (14) Israel e o Líbano a aproveitar uma "oportunidade histórica" para a paz, com o início em Washington do primeiro diálogo direto em décadas entre os dois países.
O governo dos Estados Unidos, que atua como mediador do encontro, pressiona para deter o conflito entre Israel e o movimento islamista libanês Hezbollah por temer que isso possa prejudicar as negociações com o Irã — conversas que, até o momento, não apresentaram progresso algum, após o fracasso de uma reunião realizada no Paquistão durante o fim de semana.
O Líbano foi arrastado para a guerra no Oriente Médio em 2 de março, quando o Hezbollah, aliado de Teerã, lançou ataques contra Israel em resposta aos bombardeios conjuntos israelense-americanos contra o Irã que desencadearam o conflito.
Segundo as autoridades libanesas, os ataques israelenses mataram mais de 2.000 pessoas e deslocaram pelo menos um milhão.
O encontro em Washington — o primeiro do tipo desde 1993 — conta com a participação de Marco Rubio como mediador, ao lado dos embaixadores de Israel e do Líbano nos Estados Unidos.
“Esta é uma oportunidade histórica. Temos consciência de que enfrentamos décadas de história e de complexidades que nos trouxeram até este momento único e à oportunidade que se apresenta aqui”, disse Rubio no Departamento de Estado ao receber os embaixadores.
“A esperança é que possamos delinear um marco sobre o qual possa se desenvolver uma paz atual e duradoura”, acrescentou.
Contudo, as expectativas de quaisquer avanços significativos são baixas, uma vez que o líder do Hezbollah, Naim Qassem, pediu o cancelamento das conversas, classificando-as como um ato de "submissão e rendição".
Pouco depois do início das negociações em Washington, o movimento afirmou ter atacado com foguetes 13 localidades no norte de Israel.
O governo israelense descartou a possibilidade de discutir qualquer cessar-fogo com o movimento pró-iraniano, do qual exige o desarmamento.
"Queremos alcançar a paz e a normalização com o Estado libanês... Não há grandes disputas entre Israel e o Líbano. O problema é o Hezbollah", afirmou o ministro das Relações Exteriores, Gideon Saar, de Jerusalém, antes da reunião.
O presidente libanês, Joseph Aoun, disse esperar que as conversas marquem o “início do fim do sofrimento do povo libanês em geral”.
No terreno, moradores de Beirute manifestaram a esperança de que as conversas tragam um fim à violência. "Estamos extremamente cansados", disse Kamal Ayad, de 49 anos. "Já vivemos muitas guerras e queremos descansar."
- Bloqueio naval -
Com as atenções voltadas para o encontro entre Israel e o Líbano, o presidente americano, Donald Trump, tentou pressionar o Irã com um bloqueio naval e ameaçou afundar qualquer embarcação que tentasse entrar ou sair do Estreito de Ormuz.
Washington afirmou que “a bola está no campo do Irã” para pôr fim à guerra no Oriente Médio.
Desde a eclosão da guerra, em 28 de fevereiro, o Irã restringiu drasticamente a passagem por este estreito, por onde em condições normais transitam aproximadamente 20% das exportações mundiais de petróleo e gás.
O comando militar iraniano classificou o bloqueio como um ato de pirataria e alertou que, se a segurança de seus portos "for ameaçada, nenhum porto no Golfo ou no Mar Arábico estará seguro".
Segundo analistas, Trump está tentando privar o Irã de recursos financeiros, mas também impulsionar a China — o maior comprador de petróleo iraniano — a exercer pressão sobre Teerã para reabrir o Estreito de Ormuz.
Por ora, a China considerou o bloqueio como "perigoso e irresponsável".
A Presidência francesa informou que França e Reino Unido devem organizar, na sexta-feira, uma videoconferência entre "países não beligerantes dispostos a contribuir" para uma "missão defensiva" em Ormuz, visando restaurar a liberdade de navegação.
Apesar do aumento nas tensões, o frágil cessar-fogo de duas semanas, acordado na última quarta-feira, permanece em vigor.
Trump afirmou na Casa Branca que representantes iranianos haviam entrado em contato para chegar a um acordo, após negociações infrutíferas no Paquistão. "Recebemos um telefonema da outra parte. Eles gostariam de chegar a um acordo. Com grande urgência", afirmou do lado de fora do Salão Oval.
Duas fontes paquistanesas de alto escalão disseram à AFP nesta terça-feira que Islamabad está trabalhando para reunir Irã e Estados Unidos em uma segunda rodada de conversas.
- Pausa no enriquecimento nuclear -
Trump insiste que qualquer acordo deve incluir uma proibição ao Irã de obter armas nucleares no futuro.
Diversos veículos de comunicação noticiaram na segunda-feira que os Estados Unidos teriam solicitado a suspensão, por 20 anos, do programa de enriquecimento de urânio do Irã.
Teerã propôs suspender suas atividades nucleares por cinco anos, o que foi rejeitado por autoridades americanas, segundo o The New York Times.
Os esforços diplomáticos também se intensificaram em outros lugares, com a chegada do chanceler russo, Serguei Lavrov, a Pequim nesta terça-feira, horas após a agência de notícias estatal iraniana ter informado que ele havia conversado com seu homólogo iraniano, Abbas Araghchi.
O primeiro-ministro espanhol, Pedro Sánchez — também em Pequim —, declarou após uma reunião com o presidente Xi Jinping que a China poderia desempenhar um papel "importante" na "busca de vias diplomáticas para pôr fim a esta guerra".
T.Egger--VB