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Paquistão declara 'guerra aberta' a autoridades talibãs do Afeganistão e ataca Cabul
O governo paquistanês declarou, nesta sexta-feira (27, data local), uma "guerra aberta" às autoridades talibãs do Afeganistão e bombardeou grandes cidades do país vizinho, incluindo a capital Cabul, após meses de ataques letais entre os dois países.
As agressões foram retomadas na quinta-feira entre o Paquistão, uma potência nuclear, e seu vizinho governado pelos talibãs, quando as forças afegãs atacaram tropas fronteiriças paquistanesas em "represália" a bombardeios anteriores.
Paquistão e Afeganistão, que durante muito tempo mantiveram relações cordiais, protagonizam enfrentamentos esporádicos desde que os talibãs retomaram o controle de Cabul em 2021.
Islamabad acusa as autoridades talibãs de oferecerem cobertura a militantes armados que lançam ataques contra o território paquistanês, algo que Cabul nega.
"Nossa paciência chegou ao limite. A partir de agora, é uma guerra aberta entre nós e vocês", garantiu o ministro da Defesa paquistanês, Khawaja Asif, na rede social X.
Pouco antes, jornalistas da AFP nas cidades de Cabul e Kandahar presenciaram fortes explosões e aviões sobrevoando a área.
O ministro do Interior paquistanês, Mohsin Naqvi, assegurou que esses ataques contra o Afeganistão constituíam uma "resposta adequada" às ações de seu vizinho.
Ao mesmo tempo, um porta-voz das autoridades talibãs do Afeganistão, Zabihullah Mujahid, anunciou no X que suas operações aéreas seriam retomadas "em grande escala contra posições de soldados paquistaneses", após as realizadas no dia anterior e a resposta de Islamabad.
- Troca de ataques -
O Exército talibã do Afeganistão atacou na quinta-feira instalações militares fronteiriças no Paquistão em represália, segundo Cabul, a vários bombardeios letais, o que provocou uma resposta "imediata e enérgica" das forças paquistanesas.
"Dezenas de soldados paquistaneses morreram", "vários também ficaram feridos e outros foram tomados como prisioneiros", afirmou o porta-voz talibã Mujahid.
Ele acrescentou à AFP que mais de 15 postos avançados paquistaneses tinham caído no espaço de duas horas.
Essa informação foi desmentida por um porta-voz do primeiro-ministro do Paquistão, Shehbaz Sharif. Segundo ele, "nenhum posto paquistanês foi tomado ou danificado", enquanto os talibãs afegãos sofreram "grandes perdas".
Essas "ofensivas em larga escala foram lançadas em represália contra o inimigo", acusou então Hamdullah Fitrat, porta-voz adjunto do governo talibã do Afeganistão.
O ministro da Informação paquistanês, Attaullah Tarar, detalhou que foram realizados ataques contra "alvos da defesa talibã afegã" em Cabul e Kandahar, bem como na província de Paktia.
- Tensões extremas -
O assalto das forças talibãs afegãs ocorreu após os ataques aéreos paquistaneses do último fim de semana nas províncias de Nangarhar e Paktika, por causa de "atentados suicidas recentes" no Paquistão.
Segundo a missão da ONU no Afeganistão, esses bombardeios, os mais importantes desde os enfrentamentos entre os dois países vizinhos em outubro, causaram a morte de pelo menos 13 civis, enquanto o governo talibã afirmou que pelo menos 18 pessoas haviam falecido.
Na terça-feira também houve trocas de tiros na fronteira, que não deixaram vítimas.
As relações entre o Paquistão e os talibãs do Afeganistão pioraram consideravelmente nos últimos meses, já que as passagens fronteiriças terrestres permaneceram fechadas em sua maioria desde os combates de outubro, que causaram mais de 70 mortos em ambos os lados, embora os afegãos que retornem a seu país possam cruzar a fronteira.
Após um cessar-fogo inicial negociado por Catar e Turquia, várias rodadas de negociações foram realizadas, mas esses esforços não foram suficientes para alcançar um acordo duradouro.
A Arábia Saudita interveio este mês para facilitar a libertação de três soldados paquistaneses capturados pelos talibãs do Afeganistão em outubro.
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A.Ammann--VB