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Chefe de Governo da Alemanha visita a China e pede relação bilateral mais 'justa'
O chefe de Governo da Alemanha, Friedrich Merz, defendeu nesta quarta-feira (25) uma cooperação mais "justa" com a China, no primeiro dia da visita ao principal parceiro comercial do seu país, em um momento em que a maior economia da Europa enfrenta dificuldades.
Berlim e Pequim querem aproveitar décadas de laços econômicos no momento em que o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, provoca incertezas na comunidade internacional com sua ofensiva tarifária.
A viagem de Merz acontece após as recentes visitas dos líderes da França, Reino Unido e Canadá, que também tentaram reequilibrar suas relações econômicas com a China. Trump, inclusive, deve visitar o país em 31 de março.
"Temos preocupações muito específicas sobre a nossa cooperação, que queremos melhorar e tornar mais justa", declarou Merz ao se reunir com o primeiro-ministro chinês, Li Qiang, no Grande Salão do Povo, em Pequim.
Li, por sua vez, pediu um trabalho conjunto para superar os obstáculos que o multilateralismo enfrenta atualmente.
Ele declarou que China e Alemanha, "como duas grandes economias do mundo com influência significativa, deveriam (...) salvaguardar conjuntamente o multilateralismo e o livre comércio".
Durante a visita, o chanceler alemão deve ressaltar os interesses de seu país e de outras nações europeias em uma reunião com o presidente Xi Jinping. Ele também deve pedir que a China pressione a Rússia, aliada de Pequim, para dar fim à guerra na Ucrânia.
- Sócio e rival -
A China, a segunda maior economia do mundo, ultrapassou os Estados Unidos no ano passado como o principal parceiro comercial da Alemanha, embora Berlim também considere o país governado pelo Partido Comunista um rival sistêmico do Ocidente.
Analistas destacaram que Merz visitou a Índia, a maior democracia do mundo, semanas antes de viajar para a China.
Merz disse na semana passada que visitaria Pequim, acompanhado por uma grande delegação empresarial, em parte porque a Alemanha, dependente das exportações, precisa de "relações econômicas em todo o mundo".
"Mas não devemos ter ilusões", acrescentou, ao destacar que a China, como rival dos Estados Unidos, agora "reivindica o direito de definir uma nova ordem multilateral segundo as suas próprias regras".
As empresas europeias reclamam que a China, com sua baixa demanda interna, está inundando a Europa com produtos baratos graças aos subsídios estatais e a uma moeda desvalorizada.
O déficit comercial da Alemanha com a China atingiu no ano passado o valor recorde de 89 bilhões de euros (105 bilhões de dólares, 541 bilhões de reais).
C.Kreuzer--VB