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Brasil e Índia assinam acordo sobre minerais críticos e terras raras
Índia e Brasil assinaram um acordo "histórico" sobre minerais críticos e terras raras em Nova Délhi neste sábado (21), após uma reunião entre o primeiro-ministro indiano, Narendra Modi, e o presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
O acordo é "um passo importante para a construção de cadeias de suprimentos resilientes", destacou Modi.
"O Brasil é o maior parceiro comercial da Índia na América Latina, e estamos comprometidos em elevar nosso comércio bilateral para mais de 20 bilhões de dólares nos próximos cinco anos", disse Modi.
"Nosso comércio não se resume a números; é um símbolo de nossa confiança mútua", enfatizou.
"Ampliar os investimentos e a cooperação em matéria de energias renováveis e minerais críticos está no cerne do acordo pioneiro que assinamos hoje", acrescentou Lula sobre o acordo, cujos detalhes ainda não foram divulgados.
O Brasil possui a segunda maior reserva mundial de terras raras, necessárias para a fabricação de produtos tão diversos como veículos elétricos, painéis solares, smartphones, motores de avião e mísseis guiados.
A Índia, que busca reduzir sua dependência da China, principal exportadora e ator dominante na cadeia de suprimentos de muitos desses minerais, tem expandido a produção e a reciclagem domésticas, além de buscar novos fornecedores.
Os dois países também assinaram outros nove acordos e memorandos relacionados, entre outros assuntos, à cooperação digital e ao acesso equitativo a medicamentos.
Um funcionário do Ministério das Relações Exteriores da Índia, P. Kumaran, afirmou que Lula "fez uma apresentação muito detalhada sobre as substanciais reservas de minerais críticos e terras raras do Brasil".
"Ele mencionou que apenas 30% das reservas foram exploradas e que há ampla margem para exploração, processamento de minerais e também sua utilização", explicou.
Lula chegou à Índia na quarta-feira à frente de uma delegação de mais de dez ministros e inúmeros líderes empresariais para participar de uma cúpula global sobre inteligência artificial.
O presidente brasileiro elogiou a cooperação com o país asiático, o mais populoso do mundo, em um "cenário global turbulento".
Aludindo à política tarifária do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, que afeta tanto a Índia quanto o Brasil, argumentou que "é mais do que natural que o Mercosul e a Índia trabalhem para ampliar de forma significativa o acordo de comércio preferencial que já existe entre nós".
A Índia é o décimo maior mercado para as exportações brasileiras. O comércio bilateral entre os países ultrapassou 15 bilhões de dólares em 2025 (78 bilhões de reais, na cotação atual).
- Forte demanda por minério de ferro -
Entre as principais exportações do Brasil para a Índia estão o açúcar, o petróleo, os óleos vegetais, o algodão e o minério de ferro.
A demanda por esse metal aumentou com o rápido desenvolvimento das infraestruturas e do crescimento industrial da Índia, que pode se tornar a quarta maior economia do mundo em breve.
As empresas brasileiras também estão ampliando a presença na Índia. O grupo Adani e a Embraer assinaram um acordo de fabricação de helicópteros em janeiro.
Na quinta-feira, Lula discursou na cúpula sobre inteligência artificial 'AI Impact', em Nova Délhi. O brasileiro pediu o estabelecimento de um programa de governança mundial, multilateral e inclusivo para a IA.
Depois da Índia, ele visitará a Coreia do Sul, onde se reunirá com o presidente Lee Jae-myung e participará de um fórum empresarial Brasil–Coreia do Sul.
O encontro entre Lula e Modi, dois líderes do "Sul Global", ocorreu um dia depois de Trump sofrer um grande revés quando a Suprema Corte dos EUA decidiu que ele não tem o direito de impor tarifas como se fossem uma emergência nacional.
G.Frei--VB