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Apresentador de TV Nasralla em leve vantagem sobre candidato de Trump em Honduras
O apresentador de televisão Salvador Nasralla ganhou uma leve vantagem sobre o empresário Nasry Asfura, candidato apoiado por Donald Trump, com a retomada nesta terça-feira (2) da contagem de votos das eleições presidenciais em Honduras, sob ameaças do presidente americano.
Trump, que intervém diretamente nas eleições gerais realizadas no domingo, advertiu sobre "consequências graves" caso em Honduras decidam "alterar os resultados" do escrutínio.
A apuração estava parada desde a madrugada de segunda-feira, quando Asfura, do conservador Partido Nacional (PN), figurava ligeiramente à frente do direitista Nasralla, do Partido Liberal (PL), embora em "empate técnico" segundo o Conselho Nacional Eleitoral (CNE).
Às vésperas da votação, Trump havia ameaçado cortar recursos ao empobrecido país latino-americano caso não ganhasse Asfura, ex-prefeito de Tegucigalpa de 67 anos, conhecido como "Tito" ou "Papi".
Mas, com a retomada da contagem, Nasralla, de 72 anos, agora tem 39,95% dos votos contra 39,80% de Asfura, após a apuração de pouco mais de 60% das atas eleitorais.
Em meio à pressão de Trump, o CNE explicou que a apuração havia sido interrompida na segunda com 57% das atas devido a "problemas técnicos" na empresa contratada para a divulgação dos resultados, mas que estavam sendo resolvidos.
"A declaração dos resultados respeitará de maneira escrupulosa a vontade popular expressa" nas urnas, afirmou a presidente do CNE, Ana Paola Hall. "Haverá resultados definitivos e legítimos", acrescentou.
Assim que a contagem foi retomada, a euforia tomou conta dos seguidores de Nasralla, que agitavam bandeiras do PL em seu comitê de campanha.
"Apelamos aos partidos políticos para que mantenham a calma", pediu o chefe da missão de observadores da União Europeia, Francisco Assis.
- "JOH" sai da prisão -
A intervenção de Washington foi mais longe. O ex-presidente hondurenho Juan Orlando Hernández, condenado nos Estados Unidos a 45 anos de prisão pelo envio de centenas de toneladas de drogas, saiu da prisão nesta terça indultado por Trump.
"Isso indigna. A decisão deveria ser de um juiz, não de Trump", disse à AFP Nicolle Zepeda, farmacêutica de 31 anos, em um parque de Tegucigalpa.
O presidente republicano, no entanto, considera que Hernández foi vítima de uma "armação" de seu antecessor, Joe Biden.
Seu indulto vai na contramão de sua ofensiva antidrogas mortal no Caribe, como parte de sua pressão sobre o presidente venezuelano, Nicolás Maduro, aliado da atual governante hondurenha Xiomara Castro.
- Castigo pelo voto -
As eleições gerais, nas quais também foram eleitos deputados e prefeitos por quatro anos, representaram um castigo à esquerda liderada por Castro, que governa um dos países mais violentos da América Latina, assolado pelo narcotráfico e pela corrupção.
Sua candidata, a advogada de 60 anos Rixi Moncada, do partido Libre, ficou a mais de 20 pontos percentuais dos dois primeiros.
Castro chegou ao poder em 2021, mais de uma década após o golpe de Estado contra seu marido, Manuel Zelaya, após se aproximar da Venezuela e de Cuba, o que originou uma polarização inédita entre esquerda e direita.
Trump considera Asfura um "amigo da liberdade" e Nasralla "quase comunista" por ter ocupado um alto cargo no governo de Castro, apesar de declarar admiração pelos presidentes ultradireitistas da Argentina, Javier Milei, e de El Salvador, Nayib Bukele.
Ambos basearam sua campanha na ideia de que a permanência da esquerda transformaria Honduras na nova Venezuela, mergulhada em uma profunda crise, e mostraram-se dispostos a se aproximar de Taiwan, em detrimento da relação com a China.
Em um país com 60% dos seus 11 milhões de habitantes vivendo na pobreza e com um longo histórico de fraudes e dívidas sociais, os políticos carregam o desprestígio.
Asfura busca a presidência pela segunda vez após perder em 2021 contra Castro, e Nasralla pela terceira vez.
J.Sauter--VB