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Trump cita 'consequências graves' para Honduras em cenário de disputa acirrrada pela presidência
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, ameaçou na segunda-feira com "consequências graves" caso se consolide o que considera uma suposta tentativa de "mudar" os resultados das eleições presidenciais em Honduras, onde há um empate técnico entre os candidatos de direita Nasry Asfura, apoiado pelo americano, e Salvador Nasralla.
Trump teve um papel ativo nas eleições de domingo. O republicano advertiu que cortará a cooperação com o empobrecido país da América Central se Asfura, um empresário de 67 anos, do Partido Nacional (PN), não sair vitorioso do pleito.
"Parece que Honduras está tentando mudar os resultados de sua eleição presidencial. Se fizerem, haverá consequências graves!", advertiu em sua plataforma Truth Social.
O presidente americano chama Nasralla, apresentador de televisão de 72 anos e candidato do Partido Liberal, de "quase comunista" por ter ocupado um cargo no governo da presidente de esquerda Xiomara Castro, com quem rompeu pouco depois.
Nasralla atribuiu as declarações de Trump a uma "desinformação mal-intencionada" de seus adversários. Asfura, por sua vez, disse estar pronto para colaborar com os Estados Unidos, onde vivem dois milhões de hondurenhos e principal parceiro comercial do país.
Trump instou o Conselho Nacional Eleitoral (CNE) a concluir a apuração, que mostra Asfura com uma vantagem de apenas 515 votos, após a apuração digital de 57% das atas de votação. Asfura tinha 39,91% dos votos, contra 39,89% para Nasralla.
O CNE anunciou o início da apuração manual, sem revelar quando será concluída e pedindo "paciência".
"Os números vão falar por si mesmos", disse Asfura, enquanto Nasralla declarou que só poderia perder em caso de "trapaça".
- Indulto para ex-presidente -
As eleições representam um revés para a esquerda, liderada pela presidente Xiomara Castro, que governa um dos países mais pobres e violentos da América Latina, afetado pelo narcotráfico e pela corrupção.
A candidata do governo, Rixi Moncada, acusada por Trump de ser aliada do presidente venezuelano Nicolás Maduro e seus "narcoterroristas", ficou a uma distância de mais de 20 pontos percentuais dos primeiros colocados.
O apoio de Trump ao ex-prefeito de Tegucigalpa "foi entendido pelo povo como uma coerção", disse Moncada na segunda-feira.
Castro chegou ao poder em 2021, mais de uma década após o golpe de Estado contra seu marido, Manuel Zelaya, que se aproximou da Venezuela e de Cuba, o que provocou uma inédita polarização esquerda-direita em Honduras.
Asfura e Nasralla basearam suas campanhas na tese de que a permanência da esquerda tornaria Honduras a nova Venezuela, mergulhada em uma crise profunda, e se mostraram dispostos a se aproximar de Taiwan, em detrimento da relação com a China.
A intervenção de Trump foi ainda mais longe ao anunciar que concederá indulto ao ex-presidente hondurenho Juan Orlando Hernández, condenado nos Estados Unidos a 45 anos de prisão pelo envio de centenas de toneladas de drogas em aliança com o narcotraficante mexicano Joaquín "Chapo" Guzmán.
Segundo a justiça americana, Hernández, que governou de 2014 a 2022 com o partido de Asfura, transformou Honduras em um "narco-Estado", mas Trump considera que ele foi vítima de uma "armação" de seu antecessor, Joe Biden.
O anunciado perdão vai na contramão da ofensiva antidrogas mortal de Trump no Caribe, como parte de sua pressão sobre Nicolás Maduro, aliado de Xiomara Castro.
O perdão a este "chefão do tráfico" foi "negociado" pelas elites locais, denunciou a candidata de esquerda, uma advogada de 60 anos.
- Sem prognóstico -
"É impossível determinar o vencedor com os dados que temos", disse o analista político Carlos Cálix.
Asfura disputa a Presidência pela segunda vez, após a derrota em 2021 para Xiomara, e Nasralla está em sua terceira candidatura.
Preocupados com a troca de ataques, os candidatos pouco abordaram durante a campanha as preocupações dos hondurenhos: a pobreza, a violência das gangues, a corrupção e o narcotráfico.
Honduras é um país extremamente dependente dos Estados Unidos, com 60% de seus 11 milhões de habitantes vivendo na pobreza e 27% de seu PIB alimentado pelas remessas dos imigrantes.
Quase 6,5 milhões de hondurenhos estavam registrados para escolher quem sucederá a presidente Xiomara Castro em uma votação de turno único, que também define deputados e prefeitos para mandatos de quatro anos.
Após uma campanha marcada por denúncias antecipadas de fraude, o dia de votação transcorreu em um ambiente de calma, segundo a missão de observadores da Organização dos Estados Americanos (OEA).
D.Schlegel--VB