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Trump diz que suspenderá 'permanentemente' migração do 'terceiro mundo'
O presidente Donald Trump anunciou na quinta-feira (27) que planeja suspender a migração para os Estados Unidos de pessoas procedentes de "países do terceiro mundo", um dia após um cidadão afegão ter sido acusado de abrir fogo contra dois integrantes da Guarda Nacional em Washington.
Trump afirmou ainda que Sarah Beckstrom, de 20 anos e da Virginia Ocidental, uma das integrantes da Guarda Nacional baleadas perto da Casa Branca, não resistiu aos ferimentos e faleceu na quinta-feira,
"Vou suspender permanentemente a migração de todos os países do terceiro mundo para permitir que o sistema dos Estados Unidos se recupere totalmente", escreveu Trump nas redes sociais.
Ele também ameaçou revogar "milhões" de vistos concedidos durante o governo de seu antecessor, Joe Biden, e "expulsar qualquer pessoa que não seja um ativo para os Estados Unidos".
A postagem irritada de Trump, que terminava desejando um feliz Dia de Ação de Graças aos americanos, representa uma escalada nas políticas anti-imigração do segundo mandato do republicano, marcado por uma campanha de deportação em massa.
O ataque de quarta-feira, descrito pelas autoridades como uma "emboscada", foi executado contra dois soldados da Guarda Nacional, mobilizada em Washington e outras cidades governadas por democratas como parte do controverso dispositivo de Trump para combater o que considera uma criminalidade violenta e desenfreada.
Trump, de fato, vinculou o tiroteio à sua decisão de mobilizar centenas de soldados da Guarda Nacional na cidade. "Talvez este homem estivesse irritado porque não podia cometer crimes", sugeriu.
As autoridades identificaram o suposto autor dos tiros como um afegão de 29 anos que trabalhou com as forças americanas em seu país durante a guerra contra os talibãs e se radicou nos Estados Unidos em 2021, quando Washington retirou suas tropas do Afeganistão.
O FBI iniciou uma investigação por terrorismo.
- "Civilização ocidental" -
Em suas redes sociais, Trump acrescentou que acabará com todos os benefícios e subsídios federais para os que não são cidadãos americanos. Também indicou que deportará qualquer estrangeiro que represente um risco para a segurança ou que "não seja compatível com a civilização ocidental".
"Os objetivos serão perseguidos com o objetivo de alcançar uma redução significativa nas populações ilegais e disruptivas", disse Trump.
"Apenas a MIGRAÇÃO REVERSA pode resolver completamente esta situação", completou.
Joseph Edlow, diretor dos Serviços de Cidadania e Imigração dos Estados Unidos (USCIS), anunciou na quinta-feira que revisará a situação migratória de cada residente permanente ou titular de um "green card" de 19 países.
Afeganistão, Cuba, Haiti, Venezuela, Irã e Mianmar estão entre os países afetados.
A administração Trump também ordenou a suspensão imediata do processamento de pedidos de imigração procedentes do Afeganistão.
O outro soldado ferido no ataque de quarta-feira, Andrew Wolfe, 24 anos, "luta por sua vida", informou Trump na quinta-feira. O suposto autor dos disparos também está em estado crítico.
A procuradora da capital americana, Jeanine Pirro, informou que o suposto atirador, Rahmanullah Lakanwal, morava no estado de Washington, no outro extremo do país, e que chegou de carro ao local do tiroteio.
Ele abriu fogo com um revólver Smith and Wesson .357 contra integrantes da Guarda Nacional que patrulhavam uma área a algumas quadras da Casa Branca.
As autoridades ainda não têm indícios sobre os motivos do ataque.
O diretor da CIA, John Ratcliffe, disse que o suspeito atuou em um comando apoiado por Washington que lutou contra os talibãs no Afeganistão e que chegou aos Estados Unidos graças a um programa de retirada de afegãos que colaboraram com a agência.
Os chefes do FBI, da CIA e do Departamento de Segurança Nacional, além de outras pessoas nomeadas por Trump, insistiram que Lakanwal chegou aos Estados Unidos sem supervisão devido a políticas de asilo pouco rigorosas após a retirada militar do Afeganistão ordenada pelo ex-presidente Joe Biden.
Mas a 'AfghanEvac', uma ONG que ajudou a realocar afegãos nos Estados Unidos, afirmou que as pessoas que receberam asilo passaram por "alguns dos processos de verificação de segurança mais rigorosos" de todo o mundo.
Lakanwal solicitou asilo nos Estados Unidos durante o mandato de Biden, mas seu pedido foi aprovado com Trump na Casa Branca, segundo o grupo.
"O ato isolado e violento deste indivíduo não deveria ser utilizado como desculpa para definir ou menosprezar toda uma comunidade", disse o presidente da ONG, Shawn VanDiver.
T.Ziegler--VB