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Ataque russo com mísseis e drones deixa ao menos 4 mortos em Kiev
Um ataque maciço envolvendo centenas de drones e mísseis russos na Ucrânia deixou pelo menos quatro mortos em Kiev neste domingo (28), incluindo uma menina de 12 anos, e mais de 70 feridos em todo o país, informaram as autoridades.
A enxurrada de bombardeios noturnos durou 12 horas, segundo Kiev, e a vizinha Polônia enviou caças para proteger seu espaço aéreo.
Os esforços diplomáticos para interromper a guerra falharam até agora e a Rússia afirma estar determinada a continuar com a invasão.
"Moscou quer continuar lutando e matando, e merece a mais severa pressão do mundo inteiro", reagiu o presidente ucraniano Volodimir Zelensky.
Mark Sergeev, morador de Kiev, dormia com a família quando um míssil atingiu seu apartamento no meio da noite.
"Ainda não consigo acreditar que as crianças estão vivas. [...] O teto foi arrancado bem acima da cama do meu filho mais velho", disse o homem de 35 anos à AFP.
Anna, de 26, explicou que seu apartamento estava coberto de escombros: "Ouvi um foguete voando por um longo tempo, depois houve uma explosão e as janelas quebraram".
Zelensky publicou um vídeo que mostra prédios residenciais em chamas.
Mais de 70 pessoas ficaram feridas em 11 regiões ucranianas atingidas pelo bombardeio, informou o ministro do Interior, Ihor Klymenko, no Telegram.
Em Kiev, quatro pessoas morreram, segundo autoridades locais.
Os serviços de resgate disseram que o corpo da menina que morreu foi retirado dos escombros de um prédio residencial no distrito de Solomianskyi, onde duas pessoas de um instituto de cardiologia também morreram.
Outra pessoa foi encontrada morta no local do ataque a uma instalação civil, segundo Klymenko.
O Ministério da Defesa russo afirmou neste domingo que "empresas do complexo militar-industrial ucraniano" foram atacadas.
Segundo Zelensky, os ataques afetaram sobretudo zonas civis, embora algumas infraestruturas energéticas também tenham sido atingidas. O presidente acusou Moscou de querer causar cortes de eletricidade maciços na Ucrânia.
A cidade de Zaporizhzhia, no sudeste do país, foi atingida "pelo menos quatro vezes", segundo o governador regional Ivan Fedorov, que relatou 34 feridos.
- 'Guerra contra os civis' -
O chefe da administração presidencial ucraniana, Andrii Yermak, acusou Moscou de travar uma "guerra contra os civis".
O Ministério da Defesa russo declarou neste domingo que 41 drones ucranianos foram derrubados durante a noite.
No oeste da Ucrânia, a Polônia mobilizou sua aviação "preventivamente" durante a noite para proteger a população, especialmente nas áreas de fronteira com a Ucrânia, disseram autoridades.
A Otan anunciou neste domingo o reforço de sua "vigilância" e seus recursos na região do Báltico, após recentes sobrevoos de drones na Dinamarca.
Zelensky conversou neste domingo com Mark Rutte, secretário-geral da Otan. Os dois dirigentes discutiram maneiras de "fortalecer" o programa PURL, uma iniciativa de Washington e da Otan para fazer com que o Canadá e seus aliados europeus comprem armas americanas para a Ucrânia.
O presidente ucraniano também afirmou ter conversado neste domingo com o presidente finlandês, Alexander Stubb, e o primeiro-ministro norueguês, Jonas Gahr Støre.
"A unidade dos europeus dará uma resposta firme a esta ameaça", disse Zelensky nas redes sociais.
Em seu discurso vespertino, Zelensky afirmou contar com "informações de serviços de inteligência" que indicam que cargueiros russos estão sendo usados para "lançar" e "pilotar" esses drones e pediu que a navegação desses barcos seja proibida "no Mar Báltico e em outros mares".
Nas últimas semanas, vários países europeus acusaram a Rússia de violar seu espaço aéreo com drones e caças, o que a Otan considera uma prova de sua determinação.
A Rússia negou responsabilidade por essas intrusões ou qualquer intenção de atacar um país-membro da Otan.
H.Kuenzler--VB