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Reino Unido, Austrália, Canadá e Portugal reconhecem Estado palestino, provocando a ira de Israel
Reino Unido, Austrália, Canadá e Portugal reconheceram neste domingo (21) o Estado palestino, uma decisão histórica, mas de caráter simbólico, duramente criticada pelo primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, que ameaçou ampliar os assentamentos de Israel na Cisjordânia.
Embora os palestinos da sitiada Faixa de Gaza tenham recebido o reconhecimento como uma "vitória moral", a medida provocou uma enérgica resposta por parte de Israel, cujo dirigente prometeu que nunca seria criado um Estado palestino.
Espera-se que outros países, como a França, deem o mesmo passo durante a Assembleia Geral da ONU, em Nova York, que começa na segunda-feira.
"Tenho uma mensagem clara para esses dirigentes que reconheceram um Estado palestino depois do horrendo massacre de 7 de outubro: vocês estão dando uma enorme recompensa ao terrorismo", afirmou Netanyahu em declarações emitidas por seu gabinete.
"E tenho outra mensagem para vocês: isso não acontecerá. Não será estabelecido nenhum Estado palestino a oeste do rio Jordão", acrescentou.
- Ameaça à Cisjordânia -
Netanyahu foi ainda mais longe e prometeu ampliar os assentamentos judaicos nos territórios ocupados da Cisjordânia.
O primeiro-ministro britânico, Keir Starmer, explicou que tomou a decisão para "reviver a esperança de paz e de uma solução de dois Estados", o de Israel e o da Palestina.
Por sua vez, o primeiro-ministro canadense, Mark Carney, apresentou o mesmo argumento, afirmando em um comunicado que a medida se insere "no marco de um esforço internacional coordenado destinado a preservar a possibilidade de uma solução de dois Estados".
Na Austrália, o chefe de governo, Anthony Albanese, defendeu "as aspirações legítimas e de longa data do povo da Palestina de ter um Estado próprio".
Mais tarde, o chanceler português, Paulo Rangel, anunciou seu "reconhecimento do Estado da Palestina" e defendeu igualmente "a solução de dois Estados como o único caminho para uma paz justa e duradoura".
O Reino Unido e o Canadá são os dois primeiros países do G7, o grupo que reúne as nações mais ricas do mundo, a reconhecer um Estado palestino.
- "Vitória moral" -
O reconhecimento por parte de aliados históricos de Israel acontece enquanto o Exército israelense intensifica sua ofensiva em Gaza, desencadeada pelo ataque do movimento islamista palestino Hamas, que matou 1.219 pessoas em Israel, a maioria civis, em 7 de outubro de 2023, segundo um levantamento da AFP baseado em fontes oficiais.
A campanha de retaliação israelense matou mais de 65.200 palestinos na Faixa de Gaza, também em sua maior parte civis, de acordo com números do Ministério da Saúde do território — governado pelo Hamas — que a ONU considera confiáveis.
Um número crescente de Estados, por muito tempo próximos a Israel, já deu esse passo simbólico de reconhecer o Estado palestino nos últimos meses, apesar das fortes pressões dos Estados Unidos e de Israel.
Durante uma cúpula nesta segunda-feira (22), liderada por França e Arábia Saudita — que deve tratar do futuro da solução de dois Estados à margem da Assembleia Geral da ONU — uma dezena de países planeja reconhecer formalmente o Estado palestino.
O presidente francês, Emmanuel Macron, destacou em entrevista à emissora americana CBS News, transmitida neste domingo, que o reconhecimento da França em nenhum caso incluirá a abertura de uma embaixada francesa em território palestino até que o Hamas libere os reféns.
Em Gaza, muitos viram o reconhecimento como uma afirmação de sua existência após quase dois anos de guerra entre Israel e o grupo islamista palestino Hamas.
Para Salwa Mansur, uma mulher de 35 anos deslocada em Al Mawasi, os anúncios demonstram "que o mundo finalmente começa a ouvir nossa voz, e isso, em si mesmo, é uma vitória moral".
Em Israel, outras vozes se levantaram contra o reconhecimento do Estado da Palestina.
O Ministério das Relações Exteriores israelense criticou, em comunicado, uma decisão "que não favorece a paz", e o ministro da Segurança Nacional, Itamar Ben Gvir, propôs responder com a anexação "imediata" da Cisjordânia.
- "Paz justa e duradoura" -
O presidente palestino, Mahmud Abbas, considerou que a decisão britânica é "um passo importante e necessário" para "uma paz justa e duradoura".
Um alto funcionário do Hamas, Mahmud Mardauwi, declarou à AFP que se trata de "uma vitória para os direitos do povo palestino".
Diante das acusações do governo israelense, Starmer reiterou que sua decisão "não é uma recompensa para o Hamas" e anunciou que adotará novas sanções contra o movimento islamista, reiterando seu chamado à libertação dos reféns ainda em cativeiro e a um cessar-fogo.
Aproximadamente três quartos dos 193 Estados membros da ONU reconhecem o Estado palestino, proclamado em 1988 pela liderança palestina no exílio.
Essa mobilização diplomática coincide com uma intensificação da ofensiva de Israel em Gaza, onde o exército israelense lançou na terça-feira uma grande operação para tomar a Cidade de Gaza, o maior centro urbano do território, com o objetivo de aniquilar o Hamas.
Neste domingo, pelo menos 32 pessoas morreram na Cidade de Gaza em ataques israelenses, segundo a Defesa Civil local, que opera sob o controle do governo do Hamas.
A.Kunz--VB